painel de mudanças climáticas: paraíba leva 4 edições à cop30 em belém

Painel de Mudanças Climáticas: Paraíba leva 4 edições à COP30 em Belém

Na COP30, Painel de Mudanças Climáticas da Paraíba mostra políticas, pesquisas e parcerias

A participação da Paraíba na COP30, realizada em Belém, colocou o Painel de Mudanças Climáticas do estado em destaque no debate climático nacional e internacional. A iniciativa, promovida pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba, a Secties, mostrou ações de mitigação e adaptação que vêm sendo desenvolvidas desde 2019, gerando interesse de outros estados e potenciais parceiros.

Política pública e reconhecimento

Para o secretário da Secties, Claudio Furtado, a participação na conferência foi uma oportunidade para reforçar o papel da Paraíba na agenda climática. Segundo ele, “A Paraíba compreendeu a importância de enfrentar a crise climática. Ao levarmos o nosso Painel de Mudanças Climáticas para a COP 30, mostramos que a nossa política, realizada desde 2019 pelo governador João Azevêdo, é referência para todo o Nordeste e o mundo”, comentário que traduz o tom da presença paraibana no evento.

A delegação da Secties incluiu especialistas e coordenadoras do painel, que aproveitaram o espaço de discussão promovido pelo Banco Nordeste e pelo Consórcio Nordeste para divulgar resultados, trocar experiências e buscar novas parcerias. A estratégia visa aproximar ciência, gestão pública e realidades locais, para que as ações cheguem à população mais vulnerável.

O alcance do Painel de Mudanças Climáticas

O Painel de Mudanças Climáticas já realizou quatro edições, com atividades que percorreram as quatro mesorregiões do estado: Sertão, em Sousa, Borborema, em Monteiro, Agreste, em Campina Grande, e Mata Paraibana, em João Pessoa. O formato reúne pesquisadores, estudantes, gestores públicos e representantes da sociedade civil, para debater desafios como desertificação, escassez hídrica, perda de biodiversidade e estratégias de adaptação e mitigação.

Sobre a experiência de levar o projeto para a COP30, a coordenadora do Painel, Simone Porfírio, enfatizou a importância da visibilidade e da expansão do alcance do trabalho. Em suas palavras, “Essa oportunidade de estar participando da COP30, principalmente no espaço do Consórcio Nordeste, é fundamental para a Secretaria de Ciência e Tecnologia, especialmente no painel paraibano de mudanças climáticas. Todo mundo que respira vai ser impactado por essas mudanças e deve ser informado do que é possível ser feito para amenizar. Eu acho que isso dá um destaque que faz com que portas se abram e a gente possa levar essa mensagem mais distante. A gente já conseguiu alcançar quatro mesorregiões, mas ainda precisamos ir mais além, talvez ampliar esse evento agora para as microrregiões, para poder aumentar o número de participantes, principalmente os mais distantes dos grandes centros”.

Apresentações, pesquisas e parcerias

Na COP30, a apresentação paraibana contou com a participação do Projeto Preamar e de pesquisadores que tiveram sua trajetória impulsionada pelo Painel. Simone destacou especificamente a contribuição da coordenadora de restauração de corais, Karina Maciel, bolsista Fapesq, que levou resultados de pesquisas iniciadas após sua participação no Painel Paraíba em 2022. Conforme relatado, “Tivemos impressões muito boas do painel. Apresentamos junto com o Preamar, em que a coordenadora de restauração de corais, Karina, trouxe seus apontamentos, a importância da conservação, do estudo prévio dos corais e também da sua restauração, além da cooperação entre diferentes estados, principalmente do Nordeste, para trocar os conhecimentos já existentes. Karina também foi fruto da apresentação no painel Paraíba no ano de 2022 e hoje, aqui junto conosco, trouxe os seus resultados e a importância deles para a nossa Paraíba e para a região Nordeste”.

A engenheira ambiental Maria Luísa Palitot, uma das organizadoras do painel, ressaltou o caráter plural e cooperativo da iniciativa e a ambição de ampliar interlocuções, “Foi importante, dentro da apresentação do painel, a pluralidade de pessoas de diferentes estados que trouxeram suas contribuições, interessadas na governança e em como ela é possível ir mais além, romper fronteiras do nosso estado. Estamos aqui na COP representando a Paraíba, o Governo do Estado e, quem sabe, tendo alcance internacional, porque é onde vamos buscar novas parcerias”, afirmou.

Repercussão e impacto local

A recepção ao Painel de Mudanças Climáticas chamou a atenção de pesquisadores presentes ao espaço do Consórcio Nordeste, que destacaram o protagonismo da Paraíba. Um biólogo presente elogiou a iniciativa, dizendo “Vimos um painel maravilhoso, com pesquisas avançadas, em que se verifica a participação direta da comunidade. E ainda mais importante: a interação com outros agentes, inclusive de outros estados. O Consórcio Nordeste está possibilitando isso de forma fantástica. Parabéns à Paraíba”.

O reconhecimento em Brasília e no evento em Belém abre caminho para que o trabalho do painel chegue a mais microrregiões, conforme o desejo dos organizadores. O desafio agora é transformar visibilidade em recursos, redes de cooperação e ações concretas que alcancem comunidades distantes dos centros urbanos.

Próximos passos

Entre os objetivos apontados pela coordenação está a ampliação do alcance do Painel de Mudanças Climáticas para microrregiões, o fortalecimento de parcerias interinstitucionais e a continuidade de pesquisas aplicadas, como as de restauração de corais. A experiência na COP30 serviu para validar a estratégia de diálogo entre ciência e gestão pública, e para demonstrar que iniciativas locais podem ganhar espaços nacionais e internacionais quando articuladas de forma plural e colaborativa.

O trabalho da Secties, por meio do Painel, segue como exemplo de como políticas públicas, ciência e participação social podem convergir para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, especialmente em regiões vulneráveis. A expectativa é que, com apoio e integração regional, as ações apresentadas em Belém se transformem em projetos de maior escala, capazes de mitigar riscos e aumentar a resiliência das comunidades paraibanas.

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