
Professor Jilton Lucena lança obra sobre o Clássico dos Maiorais em data simbólica
O professor e historiador Jilton Lucena lançou nesta quinta-feira um livro que resgata a memória do duelo mais emblemático de Campina Grande, entre Treze e Campinense. A obra, intitulada Clássico dos Maiorais – 70 anos de memórias, rivalidades e tradição, chega exatamente no dia que marca sete décadas do primeiro confronto entre as duas equipes, realizado em 1955.
Pesquisa e estrutura da obra
Segundo o autor, a pesquisa parte de um marco cronológico claro, que organiza a narrativa em duas etapas. “O primeiro jogo foi em 27 de novembro de 1955, e a gente faz essa escrita de 55 até 90, que eu chamei de primeiro tempo, para trazer informações sobre esses primeiros 35 anos do clássico”, explicou Lucena em entrevista à Rádio Caturité FM.
O lançamento da primeira parte acontece justamente no mesmo dia do duelo inaugural, e o autor já trabalha na continuidade. “O lançamento vai ser no mesmo dia do confronto de 70 anos atrás. E eu já estou na escrita da segunda metade, o segundo tempo do jogo, que vai de 90 até 2025, ano em que o clássico completa 70 anos desse confronto entre Treze e Campinense.”
Fontes e memória
A obra se apoia em extensa documentação de jornais da época e em acervos pessoais. Como herdeiro do narrador Joselito Lucena, Jilton teve acesso a recortes que ajudaram a compor a narrativa histórica. “Foram muitos dados, muitos recortes de jornais. Joselito deixou muitas fontes do Diário da Borborema, de A União e até do Diário de Pernambuco. Outros jornais de outros estados também falavam sobre os Maiorais da Serra, como o clássico era chamado no início”, conta o autor.
O resgate histórico busca explicar o contexto da formação da rivalidade, mostrando que o Treze, antes de enfrentar o Campinense, já travava disputas com outros times locais. “Primeiro trago o contexto de como o Treze rivalizava com Ferroviário, Paulistano, América de Esperança, porque o Campinense ainda não tinha um clube voltado para o futebol. Em 1955 surge essa ideia de trazer o Campinense para essa vertente. Os seis primeiros jogos foram perdidos pelo Campinense, e o Treze chegou a brincar dizendo que faria a missa de sétimo dia, no sétimo jogo ganharia sete vezes seguidas. Mas não acontece: o Campinense vence por 1 a 0, e é aí que nasce essa grande rivalidade que conhecemos hoje.”
Torcidas e versão infantil
Além da cronologia dos jogos e dos perfis dos clubes, o livro dedica espaço ao papel das torcidas organizadas, apontadas pelo autor como fundamentais para a consolidação do clássico. “No intervalo do jogo eu me dedico a falar sobre as torcidas de Treze e Campinense, sobre como surgiram as primeiras organizações de torcedores para fortalecer esses clubes. A gente sabe que um clube precisa trazer uma torcida forte e concreta, então faço esse destaque também”, afirmou Jilton.
Para aproximar novas gerações do assunto, o autor lançou também uma versão em quadrinhos, com linguagem acessível para crianças. “Toda essa história mais densa a gente resume na versão infantil, mostrando as datas e fatos mais importantes. É para que as crianças conheçam a história de Treze e Campinense e entendam como surgiu essa rivalidade.” As ilustrações ficaram a cargo do artista Michael Moreno, parceiro de longa data do historiador.
Importância cultural
Mais do que um livro sobre resultados e estatísticas, a obra busca mapear a relação entre futebol, identidade local e memória coletiva em Campina Grande. Ao reunir relatos, recortes de imprensa e pesquisa documental, Jilton Lucena oferece uma narrativa que ajuda a compreender por que esse confronto se tornou tão simbólico para torcedores e para a cidade.
O lançamento na data simbólica reforça o caráter comemorativo do projeto, e a continuidade da pesquisa promete atualizar a história do clássico até 2025, complementando o retrato dos primeiros 35 anos com uma análise das últimas três décadas.
Para leitores interessados na história do futebol paraibano, e para torcedores de Treze e Campinense, a publicação representa uma oportunidade de revisitar memórias, confrontos e personagens que moldaram o que hoje se conhece como um dos grandes clássicos do estado.


