Laudo do IML confirma causa da morte de jovem atacado por leoa na Bica

O Instituto de Medicina Legal (IML) de João Pessoa divulgou o laudo que aponta a causa da morte do jovem de 19 anos atacado por uma leoa no Parque Arruda Câmara, conhecido como Bica. Segundo o documento, a vítima, Gerson de Melo Machado, faleceu em decorrência de um choque hemorrágico, provocado por perfurações em vasos cervicais.

O trágico incidente ocorreu no último domingo (30), quando o jovem invadiu o recinto da leoa. O laudo detalha que as mordidas no pescoço resultaram em uma hemorragia fatal. É importante ressaltar que o documento também afirma que a leoa não chegou a se alimentar do corpo do rapaz.

Além da necropsia, o IML solicitou um exame toxicológico complementar e um procedimento de identificação técnica para formalizar a identidade do jovem, que, segundo relatos, sofria de transtornos mentais e vivia em situação de abandono familiar. Os resultados toxicológicos devem ser divulgados nos próximos dias.

A trajetória de Gerson: transtornos mentais e abandono familiar

Gerson de Melo Machado, de 19 anos, enfrentava sérios desafios em sua vida. Relatos divulgados após o ocorrido indicam que ele sofria de transtornos mentais e vivia em situação de abandono familiar. Ele foi sepultado nesta segunda-feira (1º), em João Pessoa.

O IML de João Pessoa divulgou uma nota confirmando os detalhes. O corpo deu entrada no dia 29/11/2025, e a causa da morte foi choque hemorrágico por ação perfurocontundente nos vasos cervicais. Um exame toxicológico complementar foi solicitado. O corpo ainda não foi identificado formalmente e segue sob custódia para procedimentos técnicos. Após a conclusão dos exames, o cadáver será liberado para a família realizar os trâmites funerários.

Uma conselheira tutelar que acompanhou Gerson por oito anos comentou a história. Segundo ela, o jovem tinha histórico de transtornos mentais e apresentava comportamentos de risco desde a infância, exigindo atenção constante da rede de proteção. Gerson foi acolhido aos 10 anos, após ser encontrado em uma rodovia, e desde então recebia acompanhamento sistemático.

A conselheira relatou episódios que evidenciavam o comportamento impulsivo do jovem, como uma tentativa anterior de acessar a área restrita de um avião no aeroporto. Ela também destacou que Gerson havia sido destituído do convívio familiar por falta de condições da mãe e não chegou a ser adotado devido às dificuldades relacionadas ao seu quadro psicológico. A trajetória de Gerson era marcada pela ausência de vínculos familiares estáveis e pela necessidade de intervenções frequentes. Para ela, a reação negativa nas redes sociais após a morte do jovem ignora o contexto social e emocional que acompanhou sua vida.

Como o jovem invadiu o recinto da leoa?

Vídeos que circularam nas redes sociais registraram o momento em que o jovem escalou uma estrutura lateral do recinto da leoa. Segundo a Prefeitura de João Pessoa, ele subiu uma parede de mais de 6 metros, passou pelas grades de proteção e usou uma árvore dentro do recinto como apoio para entrar na área onde estava o animal.

Poucos segundos após acessar o espaço, Gerson foi atacado pela leoa. As imagens mostram o animal, que estava deitado próximo ao vidro de observação, avançando rapidamente em direção ao jovem. No momento em que ele descia pela árvore, ficou ao alcance do animal, que o puxou para o chão. O jovem ainda tentou correr, mas caiu, e a leoa apareceu com o focinho sujo de sangue.

Reação da leoa e segurança no parque

A leoa, chamada Leona, entrou em estado de estresse logo após o ataque. O veterinário do parque, Thiago Nery, informou que o animal ficou “em choque”, mas respondeu aos comandos de manejo e pôde ser contida sem necessidade de armas ou tranquilizantes. Leona está sendo monitorada por veterinários, biólogos e zootecnistas.

O Parque Arruda Câmara (Bica) confirmou que não há qualquer possibilidade de eutanásia da leoa Leona. A direção reforçou que o animal está saudável, não apresenta comportamento agressivo fora do episódio e agiu por instinto, diante da invasão de seu espaço. O protocolo do zoológico para situações dessa natureza prevê justamente monitoramento e acompanhamento técnico.

Thiago Nery, chefe da Divisão de Zoológico da Bica, explicou que a leoa segue em acompanhamento contínuo. Segundo ele, o animal permanece em área restrita e está sendo observado hora a hora pela equipe técnica. Ele também destacou que o ataque aconteceu em um ponto não visível ao público, apesar das filmagens compartilhadas nas redes sociais. O veterinário ressaltou que o caso evidencia o comportamento instintivo do animal e criticou a politização da tragédia, afirmando que o acidente ocorre quando o ser humano ultrapassa a barreira comportamental de um predador.

Medidas tomadas e investigação em andamento

Após o ataque, a Bica foi evacuada e teve o funcionamento suspenso por tempo indeterminado. A Polícia Militar e o Instituto de Polícia Científica (IPC) foram acionados imediatamente. A Prefeitura de João Pessoa abriu investigação interna para apurar como ocorreu a invasão e informou que todos os procedimentos de segurança do parque serão revisados.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-PB) lamentou a morte e anunciou a criação de uma comissão técnica para avaliar protocolos de segurança, estrutura e manejo do parque, com o objetivo de dialogar com a Prefeitura para reforçar medidas preventivas. A reabertura da Bica depende da conclusão das investigações e da implementação de ações emergenciais para garantir a segurança.

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