João Pessoa impulsiona programa Família Acolhedora com foco em proteção e desenvolvimento infantil

A Prefeitura de João Pessoa deu um passo importante para fortalecer o programa Família Acolhedora, voltado à proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. O II Seminário Municipal de Acolhimento Familiar, realizado pela Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania (Sedhuc), reuniu especialistas, gestores, famílias acolhedoras e representantes de órgãos de proteção. O evento teve como tema central ‘Acolhimento Familiar: Prioridade para o Desenvolvimento Integral’, buscando discutir estratégias para oferecer mais afeto, segurança e pertencimento aos jovens da capital.

Compromisso com o futuro das crianças

Durante a abertura do seminário, o vice-prefeito Leo Bezerra ressaltou o compromisso da gestão municipal em expandir o programa. “A melhor forma de acolher é inserir a criança em um ambiente familiar. Esse é o nosso maior intuito”, afirmou. Ele destacou a importância de oferecer condições adequadas para que as crianças e as famílias acolhedoras possam se desenvolver plenamente. A iniciativa visa aprimorar o cuidado com as crianças, garantindo um ambiente mais seguro e afetuoso.

Acolhimento Familiar: Um ganho para todos

O secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Diego Tavares, reforçou que o programa Família Acolhedora representa um avanço significativo nas políticas de proteção, com benefícios emocionais, sociais e econômicos. “Por mais que ofereçamos toda estrutura em uma casa de acolhimento, nada se compara a uma criança estar em um lar, ter referência de pai, mãe, às vezes até de irmão”, explicou. Ele também apontou que o acolhimento em família é financeiramente mais vantajoso para o serviço público, custando cerca de um terço do valor do acolhimento institucional.

Tavares anunciou que a Prefeitura trabalha para a expansão do programa, com a criação de uma nova estrutura para melhor acolher as famílias e aumentar o número de beneficiados. Essa iniciativa demonstra a prioridade em garantir um atendimento mais humanizado e eficaz.

Superando a cultura do abrigamento

Alley Escorel, promotor da Criança e do Adolescente, destacou o desafio nacional de efetivar o direito de toda criança a uma família, conforme previsto na legislação. “No Brasil, 95% das crianças acolhidas estão em abrigos, e apenas 5% em famílias acolhedoras, uma inversão total da política estabelecida”, alertou. Ele frisou que João Pessoa já dá passos importantes para mudar esse cenário, mas a ampliação é fundamental.

“Acolher em família não é apenas cumprir a lei, mas garantir humanidade. O acolhimento familiar é mais benéfico e é a forma preferencial prevista. Precisamos superar a cultura do abrigamento para assegurar direitos”, enfatizou Escorel, reforçando a importância de priorizar o ambiente familiar para o desenvolvimento saudável das crianças.

Histórias que inspiram e transformam

O seminário contou com depoimentos emocionantes de famílias que fazem parte do programa. Janaína Feitosa, acolhedora desde 2018 e que já recebeu 17 crianças, compartilhou sua experiência. “Eu sempre tive o sonho de fazer algo por crianças. Quando apareceu a oportunidade de ser mãe acolhedora, eu abracei com unhas e dentes”, contou. Ela descreveu o acolhimento como um ato de amor diário, onde as crianças acolhidas se tornam parte da família, recebendo todo o cuidado e afeto necessários para superar traumas e rejeições.

“É um sacrifício diário, mas é amor. Eu cuido como cuido das minhas filhas. Levo para médico, para onde eu vou. Eles fazem parte da família”, relatou Janaína, ressaltando que a experiência enriquece e transforma a vida de todos os envolvidos. Ela enfatiza a importância de garantir que todas as necessidades das crianças sejam atendidas, suprindo o que lhes faltou.

O funcionamento do Família Acolhedora

Andréa Araújo, coordenadora do programa, explicou que o Família Acolhedora é um serviço voluntário onde famílias oferecem um lar temporário, respeito e proteção a crianças e adolescentes afastados de suas famílias de origem por medida protetiva. “Qualquer pessoa que tenha disponibilidade de amar”, disse. O programa garante cuidado individualizado, amor, afeto e convivência familiar, conforme preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente.

O acolhimento, que dura em média um ano e meio, mas pode ser prorrogado, conta com o acompanhamento constante da equipe técnica. O objetivo principal é que a criança retorne à sua família de origem ou, caso não seja possível, seja encaminhada para uma família adotiva, assegurando sempre o seu melhor interesse.

O evento, que contou com palestras, diálogos técnicos e apresentações culturais, reafirmou a importância de unir esforços para garantir que cada criança e adolescente tenha a oportunidade de crescer em um ambiente familiar, protetivo, amoroso e digno. A iniciativa de João Pessoa serve como um modelo para outras cidades que buscam fortalecer suas políticas de proteção à infância e adolescência.

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