Bolsa de Valores brasileira encerrou o pregão em alta expressiva, superando os 162 mil pontos, impulsionada por dados recentes que apontam para uma desaceleração da economia. O Ibovespa, principal índice da B3, atingiu 162.482 pontos, registrando uma valorização de 1,07% na última segunda-feira (19). Este movimento representa uma recuperação significativa, com o índice recuperando metade das perdas acumuladas desde o início do mês.
Desaceleração Econômica Impulsiona Mercado de Ações
O principal catalisador para o desempenho positivo da bolsa foi a divulgação pelo Banco Central de que a economia brasileira contraiu-se 0,2% em outubro, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Essa contração econômica é vista com bons olhos pelo mercado financeiro, pois aumenta as expectativas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) possa decidir por uma redução na taxa básica de juros já na reunião de janeiro, em vez de postergar a decisão para março.
Juros menores são um atrativo para investidores, pois tornam a renda fixa menos rentável em comparação com outras opções. Com isso, há uma tendência de migração de recursos da renda fixa para o mercado de ações, buscando maiores retornos. Essa dinâmica **estimula a bolsa de valores**, atraindo mais capital para as empresas listadas.
Dólar Sobe Pressionado por Fatores Internos e Externos
Em contrapartida ao otimismo na bolsa, o mercado de câmbio apresentou um dia mais pessimista. O dólar comercial fechou a sessão vendido a R$ 5,423, registrando uma alta de R$ 0,012, o que representa um avanço de 0,23%. Apesar de ter operado em queda durante a manhã, chegando a R$ 5,38 por volta das 10h, a moeda norte-americana inverteu a tendência e encerrou o dia próxima da sua máxima.
A valorização do dólar foi influenciada por uma combinação de fatores internos e externos. No cenário doméstico, o envio de **remessas de lucros de filiais de empresas estrangeiras para o exterior** é um fator que pressiona a cotação da moeda brasileira. Esse tipo de operação, comum no final do ano, aumenta a demanda por dólares.
Cenário Internacional e Impacto nas Moedas Emergentes
No âmbito internacional, a **queda do preço do petróleo no mercado global** também desempenhou um papel importante na valorização do dólar frente a moedas de países emergentes, como o real. A desvalorização de commodities energéticas tende a afetar negativamente as moedas de nações exportadoras, como o Brasil, tornando o dólar uma moeda mais atrativa para investidores em momentos de incerteza.
Apesar da alta pontual no dia, é importante notar que o dólar acumula uma **desvalorização de 1,63% em dezembro**, mas ainda assim, no acumulado de 2025, a moeda estadunidense recua 12,25%. Esse desempenho reflete um cenário mais amplo de valorização do real ao longo do ano, impulsionado por fatores como o fluxo de investimentos estrangeiros.
Histórico Recente da Bolsa e Fatores Políticos
Vale lembrar que a bolsa brasileira alcançou um recorde histórico no último dia 4, chegando aos 164.485 pontos. No entanto, no dia seguinte, o índice sofreu uma queda expressiva de 4,31%. Essa desvalorização ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciar sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026, o que gerou incertezas no mercado financeiro.
A volatilidade recente demonstra a sensibilidade do mercado a eventos políticos e econômicos. A **recuperação atual, impulsionada pela desaceleração econômica**, mostra a capacidade do mercado em se ajustar a novos dados e expectativas, buscando oportunidades de investimento mesmo em um ambiente de incertezas.