
Dólar atinge R$ 5,52, maior patamar desde agosto, e Ibovespa recua
Em um dia marcado pela instabilidade nos mercados, o dólar comercial fechou a quarta-feira (17) cotado a R$ 5,522, registrando uma alta de R$ 0,06, o que representa um avanço de 1,09%. Essa marca é a maior desde o início de agosto, evidenciando uma forte valorização da moeda americana frente ao real. Durante a sessão, o dólar operou em alta constante, chegando a atingir R$ 5,53 em seu pico, por volta das 14h.
Esta é a quarta alta consecutiva do dólar, consolidando sua trajetória ascendente no mês. Em dezembro, a moeda dos Estados Unidos já acumula uma valorização de 3,5%, embora no acumulado do ano de 2025, a moeda americana apresente uma queda de 10,63%.
Bolsa de Valores também sente o impacto
O mercado de ações não ficou imune a essa turbulência. O índice Ibovespa, principal termômetro da bolsa brasileira, encerrou o dia em queda de 0,79%, aproximando-se dos 157 mil pontos, com o fechamento em 157.327 pontos. Esta foi a segunda sessão consecutiva de desvalorização para o indicador.
Fatores internos e externos impulsionam o dólar
A alta do dólar e a queda da bolsa são reflexos de uma combinação de fatores, tanto no cenário internacional quanto no doméstico. No âmbito global, o dólar apresentou uma leve alta frente às principais moedas globais. Essa movimentação é atribuída às incertezas em relação aos juros nos Estados Unidos, especialmente após a divulgação de dados que indicaram a criação de mais empregos do que o esperado em novembro.
No entanto, o cenário político e econômico brasileiro teve um peso mais significativo nas negociações. As discussões em torno das pré-candidaturas para as eleições presidenciais do próximo ano geraram apreensão no mercado. Além disso, a falta de clareza sobre o início da redução da Taxa Selic, os juros básicos da economia brasileira, pelo Banco Central (BC), também contribuiu para a pressão sobre o mercado.
Incertezas sobre a Selic e remessas de fim de ano
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na terça-feira (16), não forneceu uma data definida para o início da queda da Selic. Juros mais altos tendem a desestimular investimentos na bolsa de valores, incentivando a migração de recursos para a renda fixa, o que pode explicar parte da desvalorização do Ibovespa.
Outro fator que pressiona a cotação do dólar são as remessas de lucros de filiais de empresas estrangeiras para suas matrizes no exterior. Essas operações são comuns no final do ano e aumentam a demanda pela moeda americana, impactando diretamente seu valor no mercado brasileiro.



