
DPU recorre contra decisão do STF que tornou Eduardo Bolsonaro réu por coação
A Defensoria Pública da União (DPU) entrou com um recurso contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que aceitou a denúncia contra o deputado Eduardo Bolsonaro, tornando-o réu por coação. A DPU alega que as manifestações do parlamentar estão protegidas pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar.
Liberdade de Expressão e Imunidade Parlamentar como Defesa
Em sua argumentação, a DPU destaca que as manifestações em questão foram feitas publicamente, em entrevistas, redes sociais e plataformas digitais. Segundo a Defensoria, os temas abordados, como as relações entre Brasil e Estados Unidos, sanções econômicas, política externa e processos judiciais de repercussão nacional, são de natureza política e, portanto, amparados pela liberdade de expressão garantida aos cidadãos e pela imunidade parlamentar conferida aos deputados.
Entenda o Caso: Eduardo Bolsonaro Tornou-se Réu por Coação
A Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, aceitar a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Eduardo Bolsonaro. A acusação é de obstrução em um processo relacionado à trama golpista. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, foi o primeiro a votar pela abertura da ação penal, sendo acompanhado pelos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin.
Indícios Suficientes e Gravidade das Ameaças, Segundo o STF
Para Alexandre de Moraes, a denúncia apresenta “indícios suficientes e razoáveis de autoria”. Ele enfatizou a gravidade das supostas ameaças feitas por Eduardo Bolsonaro a autoridades brasileiras, com especial atenção aos ministros do STF. O ministro ressaltou que a “estratégia de coação” foi amplamente divulgada nas redes sociais do deputado.
Sanções dos EUA e Pressão sobre Autoridades
De acordo com a decisão do STF, a suposta tentativa de pressão por parte de Eduardo Bolsonaro teria se materializado na articulação para que os Estados Unidos impusessem sanções contra o Brasil. Essas sanções, segundo a denúncia, incluiriam:
- Aumento de tarifas de exportação.
- Suspensão de vistos de autoridades brasileiras.
- Aplicação de medidas previstas na Lei Magnitsky.
Segundo o ministro Alexandre de Moraes, o deputado teria agido em interesse particular, buscando intimidar as autoridades responsáveis pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e pela análise de um possível projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

