pb: 31.591 pessoas com deficiência cadastradas em novo estudo

PB: 31.591 pessoas com deficiência cadastradas em novo estudo

Cadastro Estadual da Pessoa com Deficiência revela perfil socioeconômico e de inclusão na Paraíba

O Governo da Paraíba, por meio da Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (Funad), divulgou resultados do **Cadastro Estadual da Pessoa com Deficiência**. Realizado entre 2021 e 2023, o levantamento reuniu **31.591 respostas** de pessoas com deficiência no estado, traçando um panorama detalhado sobre diversos aspectos de suas vidas.

Diversidade de deficiências e perfil demográfico

A pesquisa detalha a distribuição das deficiências entre os participantes. Do total de respondentes, **9.121 (28,9%)** possuem deficiência física, **2.727 (8,6%)** deficiência auditiva, **2.863 (9,1%)** deficiência visual, **9.934 (31,4%)** deficiência intelectual – incluindo 1.052 (3,3%) com Síndrome de Down –, e **6.946 (22,0%)** com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A faixa etária dos participantes varia amplamente, de 0 a 107 anos, com uma média de 28 anos. Observou-se que a maioria dos respondentes é do **sexo masculino, representando 61,6%** do total. Em relação à localização, quase metade, **49,6%**, reside em áreas urbanas, enquanto **38,7%** vivem em zonas rurais e **11,7%** em áreas intermediárias.

Acesso à tecnologia e níveis de escolaridade

Um dado relevante do Cadastro Estadual da Pessoa com Deficiência é o acesso à internet. A pesquisa aponta que **1 em cada 4 pessoas com deficiência (25%) não possui acesso** a esse recurso em suas residências, evidenciando um desafio na inclusão digital.

No quesito educação, a situação também apresenta desafios significativos. **24,6% das pessoas com deficiência não são alfabetizadas**, e **17,8% possuem apenas o ensino infantil**. O ensino fundamental é a escolaridade de **37,4%**, enquanto **14,3% concluíram o ensino médio**. Apenas **4,1% cursam o ensino superior e 1,8% possuem pós-graduação**. Apesar disso, **14.320 (45,3%) frequentam escolas ou universidades**, mas apenas **3.552 (24,8%) utilizam transporte escolar, e destes, somente 2.051 (57,7%) relatam que esse transporte é acessível**, indicando uma barreira adicional para a mobilidade educacional.

Realidade socioeconômica e inserção no mercado de trabalho

A análise socioeconômica revela que a maioria das pessoas com deficiência na Paraíba enfrenta dificuldades financeiras. **74,3% têm renda familiar de até um salário mínimo**. Cerca de **40% são beneficiários do BPC/Loas**, **16,4% recebem Bolsa Família**, e **13,4% são aposentados**. Um percentual considerável, aproximadamente **30%**, não recebe nenhum benefício social.

No que tange ao mercado de trabalho, os dados são ainda mais preocupantes. Apenas **7,8% exercem alguma atividade profissional**. Desses, uma pequena parcela atua no setor público (**3,8%**), no setor privado (**2,7%**) ou como autônomos (**1,3%**).

Objetivo e importância do Cadastro

O objetivo principal do Cadastro Estadual da Pessoa com Deficiência foi **estabelecer um perfil detalhado dessa população** no estado, indo além de indicadores demográficos e socioeconômicos, e incluindo dados sobre funcionalidade e acessibilidade. A presidente da Funad, Simone Jordão, ressaltou a importância estratégica do cadastro: “O Cadastro é muito importante do ponto de vista estratégico, com dados precisos e atuais, que vão nortear novas ações, políticas públicas e programas, com um olhar atencioso e sensível da gestão estadual.”

Jordão ainda destacou o pioneirismo da Paraíba: “A Paraíba desponta como pioneira em realizar a coleta e traçar o perfil dos respondentes, para assim estabelecer as metas de atendimento aos anseios desse segmento.” A Funad, como articuladora das ações voltadas para o público com deficiência, planejou, coordenou e analisou os dados, resultando em uma ferramenta que “dá visibilidade à pessoa com deficiência na Paraíba”, concluiu a presidente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *