Na FCJA, Lúcia Guerra lança livro essencial sobre a ditadura militar no Brasil
A historiadora, pesquisadora e professora Lúcia de Fátima Guerra Ferreira lança nesta terça-feira (30), às 16h30, o livro ‘Memória e verdade sobre a ditadura: raspando as cores para o mofo aparecer’. O evento ocorrerá no hall do Anexo I da Fundação Casa de José Américo (FCJA), em João Pessoa. A obra, com 343 páginas e publicada pela Editora do CCTA/UFPB, aprofunda-se no surgimento e consolidação da ditadura civil-militar no Brasil e no complexo processo de redemocratização do país, abordando avanços e recuos.
Um mergulho na história do Brasil e da Paraíba
O livro reúne textos de Lúcia Guerra, muitos deles escritos em colaboração com colegas e estudantes, que analisam detalhadamente diversos aspectos das ditaduras militares na América Latina, com foco especial no Brasil e na Paraíba. Conforme destaca Giuseppe Tosi, professor de Filosofia, os ensaios buscam responder a questões cruciais: quais foram as forças econômicas e políticas internas e internacionais que impulsionaram o regime de exceção no Brasil, com seu rastro de violência e destruição? E por que, apesar das lutas de resistência, o espectro do golpe e do autoritarismo continua a assombrar a frágil democracia brasileira?
Estrutura e Homenagens Especiais
A obra está dividida em três partes: ‘Direitos humanos e a política de memória’, ‘Memória e verdade sobre a ditadura na Paraíba’ e ‘Contribuição da Fundação Basso na luta por memória no Brasil’. O lançamento também servirá como uma homenagem ao pai da autora, Afrânio Montenegro Guerra, que completaria 100 anos em dezembro, e marca os 70 anos de Lúcia Guerra. A publicação conta com apresentação do professor Carmélio Reynaldo Ferreira e prefácio de Maria de Nazaré Tavares Zenaide, além de textos de Giuseppe Tosi e Fernando Moura, presidente da FCJA.
A força da memória e a luta pela verdade
Fernando Moura, em sua análise na orelha do livro, ressalta a atuação de Lúcia Guerra como uma historiadora incansável na busca por verdades e reparações. Ele descreve a autora como uma “mulher de luta, inquieta e energizada”, que aos 70 anos demonstra a mesma voracidade de quem inicia uma trajetória brilhante. Moura enfatiza que a história é um campo em constante construção, incompleto e fragmentado, o que torna o trabalho de historiadoras como Lúcia Guerra fundamental para desvendar temas incômodos como ditaduras, rupturas civis e violações de direitos humanos.
Trajetória acadêmica e profissional de Lúcia Guerra
Nascida em João Pessoa em 2 de dezembro de 1955, Lúcia de Fátima Guerra Ferreira possui vasta formação acadêmica em História, com graduação na UFPB, mestrado na UFPE e doutorado na USP. Sua atuação profissional é marcada por uma profunda dedicação à preservação da memória e à educação em direitos humanos. Ela é professora titular aposentada da UFPB e ocupa o cargo de gerente executiva de Documentação e Arquivo da FCJA. Lúcia Guerra também integra a Comissão de Instalação do Memorial da Democracia da Paraíba e coordena o Projeto Preservação da Memória e Difusão Educativa, Cultural e Científica do Acervo da FCJA. Sua trajetória inclui passagens pelo magistério estadual e federal, coordenação de cursos de especialização, organização de arquivos importantes e atuação em comissões de verdade e justiça.
A historiadora é autora de livros como ‘Raízes da Indústria da Seca: o caso da Paraíba’ (1993) e ‘Igreja e Romanização: a implantação da Diocese da Paraíba’ (2015), além de coautora e coorganizadora de diversas outras obras relevantes sobre memória, direitos humanos e história do Brasil.



