
Petroleiros do Norte Fluminense encerram greve de 16 dias após acordo com Petrobras
Após 16 dias de paralisação, os petroleiros do Norte Fluminense decidiram, em assembleia realizada nesta terça-feira (30), **suspender a greve** e aceitar a recente contraproposta apresentada pela Petrobras referente ao Acordo Coletivo de Trabalho. A decisão segue o indicativo de fim da greve emitido pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), a maior entidade representativa da categoria no país e filiada à Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Manutenção do Estado de Assembleia Permanente e de Greve
Apesar da suspensão da greve, os petroleiros aprovaram em assembleia a **manutenção do estado de assembleia permanente e do estado de greve**. O objetivo é assegurar o cumprimento, por parte da Petrobras, das cartas-compromisso que foram encaminhadas ao sindicato. Além disso, foi aprovado o desconto assistencial ao sindicato, no valor de 1% do salário líquido, a ser aplicado em três parcelas.
Avaliação Positiva do Acordo e Conquistas da Mobilização
Sérgio Borges, coordenador-geral do Sindipetro-NF e diretor da FUP, avaliou a aprovação do Acordo Coletivo de Trabalho e a suspensão da greve como “o melhor caminho neste momento”. Ele destacou que a mobilização iniciada no dia 15 de agosto garantiu avanços importantes no acordo e compromissos fundamentais da empresa com demandas históricas do Norte Fluminense.
Entre as principais conquistas apontadas por Borges estão avanços na cláusula da folga suprimida e a garantia de que não haverá punições, transferências ou mudanças de regime para os trabalhadores que aderiram à greve. Foram conquistadas também a neutralização de dias de greve, o pagamento do dia de desembarque como hora extra, a criação do Auxílio Mercado e a complementação do Auxílio Deslocamento.
Quebra da Blindagem e Perspectivas Futuras
Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, ressaltou que a maior conquista da greve foi “quebrar a blindagem que havia na gestão da presidente Magda [Chambriard, da Petrobras]”. Ele enfatizou que a força da greve demonstrou a capacidade de mobilização e negociação da FUP, garantindo avanços significativos para os três eixos da campanha reivindicatória: o fim dos PEDs (Planos de Equacionamento de Déficit) prejudiciais, o Acordo Coletivo de Trabalho e a pauta pelo Brasil Soberano.
Bacelar também alertou que, embora tenham sido alcançadas vitórias importantes, “os petroleiros não conseguiram tudo que queriam”. Ele destacou a necessidade de a categoria se reagrupar para as negociações futuras, que incluem a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em 2026, o novo plano de cargos e salários e a negociação sobre os PEDs no Tribunal de Contas da União (TCU). Os PEDs, que visam equilibrar o déficit atuarial do plano de previdência da Petrobras, impõem cobranças extraordinárias elevadas aos participantes.
Posição da Petrobras e Ações Judiciais
Até o momento, 12 sindicatos já aprovaram a proposta da Petrobras, encerrando o movimento grevista na maioria das bases, informou a empresa. Para os sindicatos que ainda não aprovaram o acordo, a Petrobras ingressou com ação judicial (dissídio coletivo de greve) no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Em decisão liminar, o TST determinou que 80% dos trabalhadores de cada unidade permaneçam em atividade e proibiu a obstrução de acesso a áreas operacionais, portos e aeroportos.
A Petrobras afirmou que as paralisações não trouxeram impacto à produção e que o abastecimento ao mercado continua garantido, sem alterações. As equipes de contingência foram mobilizadas onde necessário, garantiu a companhia.



