dólar despenca para r$ 5,36 com surpresa no emprego dos eua: juros em baixa nos eua impulsionam real

Dólar despenca para R$ 5,36 com surpresa no emprego dos EUA: Juros em baixa nos EUA impulsionam Real

Dólar em queda livre: Moeda americana atinge menor patamar em quase um mês

Em um dia de alívio significativo para o mercado financeiro, o **dólar comercial encerrou a sexta-feira (9) vendido a R$ 5,365**, marcando uma queda de R$ 0,024, o que representa um recuo de 0,44%. Essa desvalorização trouxe a moeda americana de volta ao menor valor registrado desde o início de dezembro, especificamente desde o dia 4, quando a cotação foi de R$ 5,31.

A trajetória do dólar no dia foi marcada por uma virada. Após iniciar a sessão em território estável, a moeda começou a cair acentuadamente após a divulgação de dados importantes sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. No pico de sua queda intraday, por volta das 14h, o dólar chegou a ser negociado a R$ 5,35, refletindo o impacto das notícias vindas do exterior.

A tendência de queda se consolida em janeiro, com a divisa americana acumulando um **recuo de 2,24% no mês**. Isso contrasta com o desempenho do mês anterior, novembro, quando o dólar havia registrado uma alta de 2,89%. Já no acumulado do ano de 2025, a desvalorização chega a 11,18%, indicando uma força considerável do real no período.

Ibovespa recupera fôlego e fecha em alta, impulsionado por fatores externos

Enquanto o dólar perdia força, a bolsa de valores brasileira, representada pelo Ibovespa, mostrava sinais de recuperação. Após um fechamento em baixa de 1,03% na quinta-feira (8), o principal índice da B3 **encerrou a sexta-feira aos 163.370 pontos, com uma alta de 0,27%**. O indicador chegou a apresentar ganhos mais expressivos durante o dia, atingindo uma máxima de 0,81% às 14h03, mas amenizou o ritmo de ascensão no decorrer da tarde.

Na análise semanal, a bolsa brasileira demonstrou resiliência, com uma **subida acumulada de 1,76%**. No contexto mais amplo de 2025, o Ibovespa acumula uma valorização de 1,39%, mostrando um desempenho positivo no ano.

Desaceleração do emprego nos EUA: O motor da queda do dólar e da alta da bolsa

A principal razão por trás da desvalorização do dólar e da recuperação da bolsa foi a divulgação de que a economia dos Estados Unidos criou apenas **50 mil novos empregos em dezembro**. Este número ficou significativamente abaixo das expectativas do mercado, o que é interpretado como um sinal de **desaceleração da economia americana**. Essa condição abre caminho para que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) considere um **corte nas taxas de juros** já no início de 2025.

A perspectiva de juros mais baixos nas economias avançadas, como a dos EUA, é um fator crucial para atrair capitais para mercados emergentes, como o Brasil. Investidores buscam retornos maiores em países com custos de empréstimo mais elevados, o que beneficia diretamente o fluxo de investimentos para o Brasil.

Nesta sexta-feira, o real também se beneficiou de um cenário internacional mais favorável, com a **alta de 2% do preço do petróleo no mercado internacional**, um importante item de exportação para o Brasil.

Inflação e juros no Brasil: Fatores internos que seguram o dólar e influenciam a bolsa

Do lado interno, os dados sobre a **inflação oficial em 2025**, medidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também contribuíram para segurar o dólar. Apesar de o IPCA ter fechado o ano passado em **4,26%**, a persistência da pressão nos preços do setor de serviços levanta preocupações. Isso pode levar o Banco Central brasileiro a adiar o início do ciclo de cortes de juros para a reunião de março.

Juros mais altos no Brasil, embora favoreçam a entrada de capital estrangeiro em busca de maior rentabilidade, podem ter um efeito contrário sobre a bolsa de valores. Isso ocorre porque eles estimulam a migração de investimentos da renda variável para a **renda fixa**, que se torna mais atrativa.

Portanto, a combinação de fatores externos, como a desaceleração do emprego nos EUA e a perspectiva de corte de juros por lá, com fatores internos, como a inflação e a política monetária brasileira, moldaram o comportamento do dólar e da bolsa nesta sexta-feira, oferecendo um cenário de otimismo cauteloso para os investidores.

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