Cubatão em Alerta: Prefeito Busca Apoio Federal para Salvar Polo Industrial

A cidade de Cubatão, em São Paulo, enfrenta um momento crítico com o fechamento sequencial de duas importantes fábricas que marcaram sua história industrial. Em resposta, o prefeito César Nascimento (PSD) anunciou que viajará a Brasília acompanhado de representantes políticos, empresariais e sindicais da Baixada Santista. O objetivo é sensibilizar o governo federal sobre a necessidade de reavaliar políticas tarifárias e de garantir melhores condições para o setor petroquímico e de fertilizantes.

Unigel e Yara Deixam Cubatão: Um Golpe para a Indústria Nacional

As empresas Unigel e Yara Brasil Fertilizantes, ambas com décadas de atuação na cidade, encerraram suas atividades em um curto período, gerando apreensão sobre o futuro do polo industrial cubatense. A Unigel, tradicional na produção de estireno e tolueno, suspendeu suas operações após quase 70 anos, citando um “contexto de baixa sem precedentes na indústria química global”.

A Yara Brasil Fertilizantes também paralisou a produção de suas fábricas em Cubatão e Paulínia em fevereiro de 2025. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e de Fertilizantes da Baixada Santista (Sindquim), essa decisão agrava o esvaziamento do polo industrial, que já foi um símbolo da industrialização paulista e nacional.

Busca por Medidas de Defesa Comercial e Estímulo à Produção

O prefeito Nascimento planeja solicitar uma reunião com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para discutir os impactos do fechamento dessas fábricas. Ele defende a implementação de medidas de **defesa comercial**, como a apuração de dumping nas exportações chinesas de produtos laminados de ferro ou aço, e a busca por **melhores condições de financiamento** para a atividade produtiva.

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) já instaurou um processo administrativo para investigar a suposta prática de dumping, que ocorre quando empresas estrangeiras exportam produtos a preços inferiores ao custo de produção, prejudicando concorrentes locais. Um parecer preliminar já constatou a prática, mas a conclusão da investigação está pendente.

O Declínio de um Polo Industrial Histórico

Cubatão, que já foi o principal polo produtor de fertilizantes do Brasil e um centro de excelência em siderurgia, química e petroquímica, tem visto seu protagonismo diminuir drasticamente. O sindicalista Herbert Passos Filho lamenta que, no auge, as indústrias petroquímicas da cidade empregavam cerca de 12 mil trabalhadores, enquanto hoje o número gira em torno de 3 mil, com expectativa de queda.

A privatização da Cosipa e o fechamento de diversas fábricas, como a paralisação das atividades primárias da Usiminas em 2016, que resultou na perda de cerca de 15 mil postos de trabalho, são marcos desse declínio. A dependência de insumos importados, especialmente fertilizantes, tornou o Brasil vulnerável às flutuações do mercado internacional, um reflexo de políticas que, segundo Passos, desestimularam a produção nacional.

Políticas Públicas e a Luta pela Competitividade

Em resposta à crise, o governo federal tem buscado implementar políticas para fomentar a indústria química e o setor de fertilizantes, especialmente após a guerra na Ucrânia evidenciar a alta dependência brasileira. Programas como o Nova Indústria Brasil e o Brasil Mais Produtivo, além do Regime Especial da Indústria Química (Reiq) e o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq), visam oferecer incentivos fiscais e fortalecer a competitividade.

No entanto, medidas que buscam desestimular a importação de insumos agrícolas enfrentam resistência do agronegócio, que alega aumento de custos. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que o Convênio ICMS nº 26/2021 aumentou os custos dos produtores rurais em R$ 11,74 bilhões entre 2021 e 2024.

Um Chamado pela Reindustrialização e Empregos

O vice-presidente Geraldo Alckmin reconhece as dificuldades de competitividade da indústria petroquímica nacional e reforça o compromisso do governo com a defesa comercial, buscando um **livre comércio com regras claras**, alinhado à Organização Mundial do Comércio (OMC).

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) lamenta o fechamento das fábricas e reforça a necessidade de um diálogo contínuo com os governos para fortalecer a **competitividade das indústrias nacionais** e **conter o processo de desindustrialização**. A entidade avalia que, apesar das iniciativas federais, são necessárias medidas complementares e mais efetivas para garantir a sustentabilidade do setor produtivo e a preservação dos empregos.

A mobilização em Cubatão reflete um apelo por políticas públicas que priorizem a **geração de empregos qualificados e melhor remunerados**, fortalecendo a indústria nacional e garantindo um futuro mais promissor para a região e para o país.

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