FMI reduz projeção de crescimento do Brasil para 2026 e destaca impactos da política monetária restritiva

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou uma revisão em suas projeções econômicas globais, apresentando um cenário de crescimento mais otimista para o mundo, mas um ajuste para baixo nas expectativas para o Brasil em 2026. A principal razão apontada pelo organismo para a **redução na previsão brasileira de 1,9% para 1,6%** é a continuidade de uma **política monetária restritiva**, necessária para o controle da inflação.

De acordo com a atualização do relatório Perspectiva Econômica Global, o Brasil figura entre os poucos grandes países que tiveram suas estimativas para 2026 revisadas negativamente. Essa medida contrasta com a revisão para cima do desempenho da economia global, impulsionada, em grande parte, pelos avanços em tecnologia e inteligência artificial.

Desempenho do Brasil em Revisão: Números e Causas

As projeções anteriores do FMI foram divulgadas em outubro. Para 2026, a nova estimativa de crescimento do Brasil é de 1,6%, representando uma queda de 0,3 ponto percentual em relação à previsão anterior de 1,9%. Essa desaceleração esperada em 2026 reflete, segundo o FMI, os **efeitos defasados do aperto monetário** no país.

A taxa básica de juros, a Selic, permanece em 15% ao ano, o nível mais alto em quase duas décadas, e está mantida nesse patamar desde agosto de 2025. O Fundo explica que “As perspectivas mais fracas para o Brasil estão ligadas, principalmente, à política monetária restritiva adotada para conter a inflação elevada no ano passado”.

Apesar de o FMI ter elevado ligeiramente as projeções para 2025 (de 2,4% para 2,5%) e 2027 (de 2,2% para 2,3%), a avaliação geral é que o país ainda sente os **impactos dos juros elevados**, o que limita a expansão da atividade econômica no curto prazo.

Cenário Global Otimista Contrastando com o Brasil

Enquanto a economia brasileira enfrenta um cenário de projeção reduzida, o **desempenho global foi revisado para cima**. As projeções para o crescimento mundial em 2026 agora apontam para 3,3%, um aumento de 0,2 ponto percentual, e em 2025 também se espera 3,3%, com alta de 0,1 ponto percentual. Para 2027, a estimativa se mantém em 3,2%.

Pierre-Olivier Gourinchas, economista-chefe do FMI, destacou a resiliência da economia mundial, mesmo diante de tensões comerciais e tarifárias. “A economia global está se livrando dos distúrbios comerciais e tarifários e se saindo melhor do que esperávamos”, afirmou.

Brasil Abaixo da Média Regional e Emergente

O desempenho projetado para o Brasil em 2026 também ficou abaixo da média regional. Para a América Latina e o Caribe, o FMI projeta um crescimento de 2,2% em 2026 e 2,7% em 2027, ritmos superiores aos esperados para o Brasil.

No contexto das economias emergentes e em desenvolvimento, a expectativa é de um crescimento de 4,2% em 2026. Isso reforça o caráter isolado da revisão negativa brasileira dentro do relatório do FMI, evidenciando que o desempenho do Brasil se distanciou da tendência de outras economias em desenvolvimento.

Alerta do FMI: Concentração de Crescimento e Riscos

Apesar do otimismo geral com a economia mundial, o FMI emite um alerta importante: o crescimento global está **concentrado em poucos países e setores**, com destaque para aqueles ligados à inteligência artificial. O Fundo avalia que, caso as expectativas de ganhos de produtividade impulsionados pela IA não se confirmem, pode haver **correções significativas nos mercados financeiros**.

Para o Brasil, a mensagem é de cautela. Mesmo com sinais de melhora esperados nos próximos anos, o **custo elevado do crédito** continua sendo o principal obstáculo ao crescimento econômico do país, segundo a análise do FMI.

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