Haddad quer que Banco Central fiscalize fundos de investimento

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou uma proposta ao governo para que o Banco Central (BC) passe a fiscalizar os fundos de investimento no país. Atualmente, essa responsabilidade é da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Haddad argumenta que essa mudança é necessária devido à grande intersecção entre os fundos e as finanças, o que pode gerar impactos nas contas públicas.

Mudança regulatória em debate

Em entrevista ao programa UOL News, Haddad declarou que a proposta visa ampliar o perímetro regulatório do Banco Central, pois, em sua opinião, há uma divisão equivocada de atribuições entre o BC e a CVM. Ele ressaltou que a fiscalização de fundos pelo Banco Central já é uma prática comum em países desenvolvidos. “Eu entendo que seria, inclusive, uma resposta muito boa neste momento nós ampliarmos o poder de fiscalização sobre os fundos por parte do Banco Central porque aí fica num lugar só. Fica tudo sendo supervisionado e regulado num lugar só, que é mais ou menos o desenho dos bancos centrais do mundo desenvolvido”, afirmou o ministro.

Casos recentes de fraude e a proposta do BC

A proposta ganha força após operações recentes da Polícia Federal que revelaram o uso de fundos de investimento em fraudes. Um exemplo citado foi o caso envolvendo o Banco Master e os fundos da Reag Investimentos. Na semana passada, o Banco Central anunciou a liquidação da Reag Investimentos, suspeita de administrar fundos fraudulentos ligados ao Banco Master. Segundo as investigações, o esquema envolvia uma complexa movimentação financeira com o objetivo de ocultar o beneficiário final do dinheiro, e as fraudes podem ultrapassar os R$ 11 bilhões.

Elogios a Gabriel Galípolo e a gestão do Banco Master

Durante a entrevista, Haddad também elogiou o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e afirmou não se arrepender de tê-lo indicado para o cargo. O ministro destacou a competência de Galípolo na condução de casos complexos, como o do Banco Master, que, segundo Haddad, foi um problema herdado de gestões anteriores. “Ele [Galípolo] herdou um problema que é o Banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. O Banco Master não aconteceu na gestão atual, o Galípolo descascou um abacaxi. E descascou o abacaxi com responsabilidade”, disse Haddad, acrescentando que Galípolo está resolvendo a situação com “grande competência”.

Impacto nas contas públicas e a visão do ministro

Haddad enfatizou que a intersecção dos fundos de investimento com as finanças públicas é um ponto crucial para justificar a mudança. Ele mencionou que aspectos como a conta remunerada e as operações compromissadas têm relação direta com a contabilidade pública. A centralização da fiscalização no Banco Central, segundo o ministro, traria mais eficiência e segurança ao sistema financeiro, alinhando o Brasil às práticas internacionais e fortalecendo a supervisão sobre esses importantes instrumentos financeiros.

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