stf julgará em 2026 impasse sobre emendas impositivas na paraíba

STF julgará em 2026 impasse sobre emendas impositivas na Paraíba

STF definirá regras para emendas impositivas na Paraíba em março de 2026

O governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), anunciou que aguardará o julgamento do mérito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o impasse envolvendo as emendas impositivas. A decisão judicial, que definirá os limites e a forma de implementação dessas verbas parlamentares previstas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do estado, está marcada para o dia 19 de março de 2026. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Arapuan Verdade, da Rádio Arapuan FM.

Origem do impasse: divergências na LDO

O embate jurídico teve início no ano passado, durante a tramitação da LDO. A Assembleia Legislativa da Paraíba incluiu artigos que estabeleciam percentuais específicos para a execução de emendas parlamentares. No entanto, o Governo do Estado considerou que esses critérios não respeitavam os limites constitucionais e, por essa razão, ingressou com ações no STF.

“Na verdade, ano passado, quando começamos a discutir a Lei de Diretrizes Orçamentárias, alguns artigos foram implementados pela Assembleia, e nós recorremos ao STF por entendermos que aqueles requisitos colocados na lei não atendiam à Constituição”, explicou João Azevêdo.

Primeira ação: percentual das emendas

A primeira ação julgada no STF tratava do percentual a ser destinado às emendas. A Assembleia propôs que as emendas correspondessem a 1,5% da Receita Corrente Líquida (RCL) em 2026 e a 2% da RCL no ano seguinte. O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, decidiu que o patamar máximo permitido é de 1,5% da RCL, assim como ocorre no Governo Federal, impedindo o alcance de 2%.

“Uma das ações tratava do percentual. A Assembleia colocava que para 2026 seria 1,5% da Receita Corrente Líquida e, para o ano seguinte, 2%. Essa ação caiu para o ministro Alexandre de Moraes, que foi taxativo na sua decisão: não se pode chegar a 2%, a exemplo do que é o Governo Federal. O teto máximo é de 1,5%”, afirmou o governador.

Segunda ação: forma de transição para o limite

A segunda ação, distribuída ao ministro Edson Fachin, abordou a forma de atingir o limite de 1,5% da RCL. A Assembleia previa a aplicação imediata desse percentual já em 2026. Fachin, com base em decisões anteriores do STF e pareceres da Procuradoria-Geral da República (PGR), reconheceu o limite final de 1,5% da RCL. Contudo, ele ressaltou que um salto direto de 0,8% para 1,5% não é possível, pois o acréscimo anual não pode exceder o crescimento das despesas discricionárias ou o aumento da Receita Corrente Líquida.

No caso específico da Paraíba, o ministro calculou que o limite máximo para as emendas seria de pouco mais de R$ 182 milhões. “O valor a ser acrescido não pode ser maior do que o aumento das despesas discricionárias, nem da Receita Corrente Líquida. No caso da Paraíba, o limite máximo para as emendas deveria ser de cerca de R$ 182 milhões. O ministro fez o cálculo”, destacou.

Divergência de interpretações e o julgamento final

A divergência surgiu quando a Assembleia Legislativa, ao encaminhar a Lei Orçamentária Anual (LOA), adotou o entendimento de cumprir a decisão de Alexandre de Moraes aplicando os 1,5%, mas sem observar as condicionantes estabelecidas por Fachin sobre a transição gradual para esse patamar. Essa diferença de interpretações manteve o impasse jurídico, que agora será analisado definitivamente pelo plenário do STF.

O julgamento do mérito está marcado para 19 de março de 2026, a partir do voto do ministro Edson Fachin. A decisão final deverá esclarecer de forma definitiva quais limites devem ser observados e como deve ocorrer a implementação gradual do percentual das emendas parlamentares no orçamento estadual. O governador João Azevêdo reforçou seu compromisso em cumprir as determinações do Supremo Tribunal Federal, respeitando os parâmetros constitucionais fixados pela Corte. “São esses limites que muita gente não consegue entender e acha que é vontade do governante agir assim. Eu tenho que cumprir uma determinação do Supremo Tribunal Federal”, concluiu.

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