Anfavea alerta para risco de 69 mil empregos perdidos com montagem de kits importados
A **produção automotiva no Brasil pode sofrer um baque significativo**, com a possibilidade de **eliminar 69 mil empregos diretos** e afetar outros 227 mil postos de trabalho indiretos. A projeção é de um estudo divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que aponta a **expansão do uso de kits importados para montagem** de veículos como a principal ameaça.
Impactos econômicos e na cadeia produtiva
O estudo da Anfavea detalha que a ampliação dos regimes CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) como modelos de montagem pode gerar **diversos impactos negativos para o setor automotivo do país**. Além da perda de empregos, a **fabricação de autopeças e as exportações** também seriam severamente prejudicadas.
A pesquisa estima uma **perda econômica de até R$ 103 bilhões para os fabricantes de autopeças** e uma redução de aproximadamente **R$ 26 bilhões na arrecadação de tributos em um único ano**. As exportações de veículos poderiam diminuir em cerca de **R$ 42 bilhões anualmente**, impactando negativamente a balança comercial brasileira.
Entendendo os modelos CKD e SKD
No modelo CKD, os veículos chegam ao Brasil **totalmente desmontados** e passam por processos de soldagem, pintura e integração de componentes em solo nacional. Já no regime SKD, os veículos são importados **quase prontos**, em grandes conjuntos, exigindo uma montagem local mais simples e com menor complexidade industrial. Atualmente, a montadora chinesa BYD utiliza o modelo SKD em sua fábrica em Camaçari, na Bahia.
Pressão contra isenções fiscais
A Anfavea está **pressionando o governo federal para que não renove o benefício de isenção de Imposto de Importação** para veículos eletrificados desmontados. Essa isenção, que vigorou até 31 de janeiro, beneficiou a BYD e gerou críticas de montadoras tradicionais como Toyota, General Motors, Volkswagen e Stellantis, representadas pela Anfavea.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, defende que os regimes CKD e SKD não são prejudiciais em si, pois muitas montadoras iniciaram suas operações no Brasil por meio deles, **investindo e estruturando a produção local**. Contudo, o problema reside na **manutenção de incentivos para a simples montagem em alto volume**, sem a exigência de aporte de valor nacional. Isso, segundo ele, **ameaça a sobrevivência da indústria de alta complexidade e a geração de empregos qualificados**.
Busca por um ambiente competitivo justo
Calvet ressalta que a indústria brasileira não teme a concorrência, mas busca um **ambiente competitivo justo, com regras iguais para todos**. A associação reitera ser contra a renovação da isenção da importação de kits para fabricação em alto volume, argumentando que essa medida, embora vantajosa no curto prazo, **não constrói uma indústria forte**. Modelos produtivos simplificados não desenvolvem cadeias locais, **geram menos empregos e agregam menos valor ao país**, fragilizando o que foi construído ao longo de décadas.
A BYD ainda não se manifestou sobre o assunto. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que o sistema de cotas para importações CKD e SKD termina em janeiro e, até o momento, **não há pedido de renovação do setor**.