
Apex e Congresso articulam viagem estratégica à Europa para destravar acordo Mercosul-UE
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, está planejando uma missão oficial à Europa com o objetivo de intensificar a pressão política pela ratificação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. A iniciativa, confirmada pelo presidente da Apex, Jorge Viana, visa acelerar o processo de aprovação do tratado, considerado uma prioridade para o Congresso brasileiro.
Alcolumbre prioriza acordo Mercosul-UE na retomada dos trabalhos
Segundo Jorge Viana, Davi Alcolumbre indicou que a aprovação do acordo Mercosul-UE será a **principal agenda do Congresso** na retomada das atividades após o recesso parlamentar. A estratégia delineada envolve a agilização da ratificação interna no Brasil e nos demais países do bloco sul-americano, para, em um segundo momento, concentrar esforços diretamente com os parceiros europeus. Essa abordagem busca criar um ambiente político favorável e demonstrar unidade e comprometimento com o tratado.
Missão diplomática visa diálogo político de alto nível com a Europa
A proposta inclui uma visita de parlamentares do Mercosul ao Parlamento Europeu, com articulação política de alto escalão. “Vamos aprovar tudo pelo lado do Mercosul e, juntos, organizar uma missão ao Parlamento Europeu. É um diálogo de presidente de parlamento para presidente de parlamento, no nível político adequado”, explicou Viana. Essa cooperação visa a **fortalecer os laços diplomáticos** e garantir que as preocupações de ambas as partes sejam ouvidas e consideradas de forma eficaz.
Apex lança ofensiva de comunicação para combater estereótipos sobre o Brasil
Paralelamente aos esforços diplomáticos, a ApexBrasil está preparando uma **ofensiva de comunicação** para combater resistências ao acordo e atualizar a percepção sobre o Brasil entre eurodeputados e consumidores. O objetivo é desmistificar estereótipos e apresentar um retrato mais preciso da economia e das práticas brasileiras. Dados da Apex revelam que a União Europeia é o segundo maior destino das exportações do Brasil, com US$ 49,8 bilhões em 2025, atrás apenas da China. O agronegócio, apesar de sua importância, representa cerca de 23% do comércio bilateral, um percentual inferior à percepção de que o acordo seria predominantemente agrícola.
Jorge Viana destacou que parte da oposição ao acordo ainda se baseia em uma imagem desatualizada do Brasil, especialmente em relação ao agronegócio e às agendas ambiental e social. “A imagem do Brasil mudou e precisa ser trabalhada lá fora. Argumentos usados há quatro ou cinco anos não cabem mais no cenário atual”, afirmou. A agência busca demonstrar os **avanços e as transformações** ocorridas no país, apresentando dados concretos e exemplos de boas práticas.
Estudo da Apex projeta aumento de exportações com desgravação tarifária
Um estudo divulgado pela ApexBrasil indica um potencial significativo de aumento nas exportações brasileiras com a desgravação tarifária imediata em 543 produtos. Esse movimento poderia abrir um mercado de US$ 43,9 bilhões anuais em importações da União Europeia. A Europa Ocidental desponta como a região com o maior número de oportunidades, com 266 produtos. Entre 2020 e 2024, as exportações brasileiras para a área somaram US$ 831 milhões em média anual. A Europa Meridional aparece em seguida com 123 itens, seguida pela Europa Oriental (101 produtos) e Europa Setentrional (53 produtos).
Revisão jurídica no Parlamento Europeu impõe novo obstáculo ao acordo
A atual movimentação ocorre em um momento delicado, após o Parlamento Europeu aprovar, por uma margem apertada, um pedido de **revisão jurídica adicional** do acordo, assinado em 17 de dezembro após 26 anos de negociações. Embora a decisão não inviabilize o tratado, ela representa um novo obstáculo político que pode prolongar sua tramitação no bloco por até dois anos. A resolução atendeu à pressão de parlamentares que defendem salvaguardas ambientais mais rígidas e novos mecanismos de verificação, exigências que, segundo o governo brasileiro, podem comprometer o texto negociado. Viana atribuiu o resultado à baixa mobilização dos defensores do acordo e à atuação de lobbies agrícolas europeus contrários à entrada de produtos brasileiros.



