Arrecadação Federal Atinge Marca Inédita de R$ 2,89 Trilhões em 2025
A arrecadação da União registrou um recorde histórico em 2025, alcançando a impressionante marca de R$ 2,89 trilhões. Os dados, divulgados pela Receita Federal, revelam um crescimento expressivo em comparação com o ano anterior, consolidando um desempenho financeiro positivo para o país.
Crescimento Real e Desempenho de Dezembro
O aumento anual real na arrecadação foi de 3,75%, considerando a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Dezembro de 2025 também se destacou, com uma arrecadação de R$ 292,72 bilhões, um acréscimo real de 7,46% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, comemorou os resultados, destacando que são “números bonitos, um crescimento importante, considerando o patamar alto do ano anterior.
Fatores que Impulsionaram a Arrecadação
Diversos fatores contribuíram para este recorde na arrecadação federal. Entre os principais, destacam-se os bons resultados da economia e o aumento de impostos. A atividade produtiva, especialmente no setor de serviços, que apresentou crescimento de 2,72% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, foi um motor importante. A produção industrial, embora com um crescimento mais modesto de 0,17%, também somou aos resultados, assim como o aumento de 2,11% no valor em dólar das importações e um expressivo aumento de 10,9% na massa salarial acumulada no período.
Impacto de Tributos Específicos e Alterações Legislativas
A elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) foi um dos destaques, com uma arrecadação de R$ 86,48 bilhões em 2025, um aumento de 20,54%. Este desempenho pode ser atribuído, em parte, a operações relacionadas à saída de moeda estrangeira e a créditos destinados a pessoas jurídicas, especialmente após alterações legislativas, como o Decreto 12.499/2025, que aumentou a cobrança em algumas operações de crédito.
A arrecadação previdenciária também apresentou um crescimento notável de 3,27%, totalizando R$ 737,57 bilhões, impulsionada principalmente pelo aumento da massa salarial. Outro ponto de destaque foi a alta na arrecadação do PIS/Cofins, que atingiu R$ 581,95 bilhões, um aumento de 3,03%. Este crescimento foi influenciado pelo desempenho das entidades financeiras e pela tributação de serviços de apostas online, as chamadas “bets”. A receita proveniente das casas de apostas virtuais teve um salto de mais de 10.000%, passando de R$ 91 milhões para quase R$ 10 bilhões no acumulado do ano.
A arrecadação com tributos sobre comércio exterior também cresceu, refletindo a alta das taxas de câmbio e o aumento das alíquotas médias. Houve um crescimento real de 9,49% na arrecadação deste item e de 12,91% sobre rendimentos de residentes no exterior. Esta última rubrica, conhecida por sua volatilidade, apresentou um crescimento robusto, impulsionado pela arrecadação de royalties, rendimento de trabalho e Juros sobre Capital Próprio (JCP).
Desaceleração em Setores Específicos
Apesar do recorde geral, o ano de 2025 também apresentou uma desaceleração em alguns setores. A arrecadação com o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) teve uma alta modesta de apenas 1,27%, assim como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), também com aumento de 1,27%. Essa estagnação reflete a atividade industrial praticamente estável e um decréscimo de 0,16% no setor de venda de bens.
É importante notar que a base de comparação com 2024 foi influenciada por eventos não recorrentes, como o recolhimento extra de R$ 13 bilhões do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) referente à tributação de fundos exclusivos em 2024, que não teve contrapartida em 2025. Sem considerar esses pagamentos atípicos, a Receita Federal informou que o crescimento real na arrecadação de janeiro a dezembro de 2025 teria sido de 4,82%.
Os valores arrecadados incluem tributos federais como Imposto de Renda (IR) de pessoas físicas e empresas, receita previdenciária, IPI, IOF, PIS/Cofins, entre outros. Receitas como royalties e depósitos judiciais, embora não apuradas diretamente pela Receita Federal, também compõem o montante total.