Gravidez na Adolescência: João Pessoa alerta sobre prevenção e vacinação

Prefeitura de João Pessoa intensifica ações de prevenção à gravidez na adolescência e ISTs

A Prefeitura de João Pessoa está promovendo a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, que segue até o dia 8 de fevereiro. A iniciativa visa disseminar informações educativas para reduzir a gravidez precoce e promover a saúde de adolescentes e jovens. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) também reforça a importância da vacinação para este público.

Diálogo e informação: pilares da prevenção

Fernando Virgolino, enfermeiro e chefe da Seção de Imunização da Prefeitura, destaca a importância do diálogo aberto e da informação de qualidade. “O diálogo aberto com os adolescentes, aliado à informação de qualidade, são fundamentais para que eles possam tomar decisões conscientes sobre sua saúde”, afirma. Ele ressalta o papel de pais, educadores e profissionais de saúde na orientação sobre prevenção da gravidez precoce e das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). “É importante que os jovens entendam que o autocuidado, o uso correto do preservativo e a vacinação são ferramentas poderosas para proteger a população”, completou.

Riscos da precocidade sexual e dados alarmantes

O Ministério da Saúde aponta que a média de idade da primeira relação sexual no Brasil é de 14,9 anos. Essa precocidade aumenta os riscos de gravidez não planejada e de contrair ISTs, especialmente sem o uso de métodos de proteção. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define adolescência entre 10 e 19 anos. No Brasil, essa faixa etária representa mais de 29,4 milhões de jovens em 2024. Dados do DataSUS de 2023 revelam 289.093 partos de jovens entre 15 e 19 anos (11,39% do total). O cenário é ainda mais crítico para meninas de 10 a 14 anos, com 13.932 partos, situação de alto risco para mãe e bebê.

Panorama em João Pessoa e riscos da gravidez precoce

Em João Pessoa, o número de gestações em menores de 19 anos tem variado. Segundo a Vigilância Epidemiológica da SMS, foram registradas 1.508 gestações em 2019, caindo para 1.147 em 2023 e 882 em 2024, com um pico de 1.103 em 2025. Esses dados incluem gestantes de outros municípios que tiveram parto na capital. Especialistas alertam que a gravidez na adolescência, principalmente entre 10 e 14 anos, eleva riscos de complicações como hemorragias, eclampsia, depressão pós-parto, partos prematuros e até óbito. Os impactos sociais incluem evasão escolar e dificuldades financeiras.

Ações contínuas e fatores sociais

A Prefeitura de João Pessoa atua continuamente em parceria com a Rede Municipal de Saúde e Educação. As ações focam em orientação sexual, planejamento reprodutivo e prevenção de ISTs, incluindo o uso correto de preservativos e o acompanhamento em saúde. Raysa Manuella Guedes Rolim, diretora do Departamento de Saúde do Adolescente, aponta fatores sociais como desigualdade, vulnerabilidade familiar e acesso limitado à informação de qualidade. “A desigualdade socioeconômica, a vulnerabilidade familiar, o acesso limitado à informação e à educação sexual de qualidade, além de fatores culturais e das lacunas no diálogo familiar sobre sexualidade e contracepção contribuem diretamente para a ocorrência da gravidez na adolescência”, disse.

Acolhimento e assistência especializada

Raysa Manuella Guedes Rolim assegura que a SMS oferece acolhimento e acompanhamento a adolescentes grávidas. “Nos serviços de saúde da Capital, a adolescente é acolhida e acompanhada conforme o fluxo estabelecido pelo município, assim como as demais gestantes”, explicou. Dependendo da condição clínica, a gestante pode ser classificada como de alto risco e receber acompanhamento em níveis especializados e hospitalares.

Vacinação: aliada na prevenção de ISTs

As ISTs são transmitidas principalmente por relações sexuais desprotegidas. O uso de preservativos é o método mais eficaz, mas as vacinas são fortes aliadas. Vacinas como a da hepatite B e do papilomavírus humano (HPV), disponíveis gratuitamente na Rede Municipal de Saúde, previnem infecções. A vacina contra hepatite B é aplicada preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida, com esquema de três doses para quem não tem comprovação vacinal. A vacina contra o HPV é indicada em dose única para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, com ações de resgate para jovens de 15 a 19 anos. Pessoas de 9 a 45 anos com condições específicas, como HIV/Aids, câncer, transplantes, e vítimas de violência sexual, também podem se vacinar contra o HPV, com esquemas variados conforme critérios do Ministério da Saúde. A vacinação contra HPV foi ampliada para pessoas de 15 a 45 anos em PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV), com três doses, reforçando a prevenção de ISTs e cânceres associados ao vírus.

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