
Exportações brasileiras mostram cenários opostos em janeiro, com forte retração para os EUA e alta expressiva para a China.
Janeiro de 2026 marcou um período de contrastes significativos para o comércio exterior brasileiro. Enquanto as vendas para os Estados Unidos apresentaram uma queda expressiva de 25,5%, o mercado chinês demonstrou força, impulsionando as exportações brasileiras em 17,4%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (5), em Brasília, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O impacto das tarifas americanas nas exportações brasileiras
Pelo sexto mês consecutivo, as exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda acumulada. Em janeiro, as vendas para o mercado americano totalizaram US$ 2,4 bilhões, um recuo considerável em comparação aos US$ 3,22 bilhões do mesmo mês em 2025. Essa retração é diretamente associada às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, que incidiram sobre produtos brasileiros. Embora tenha havido uma revisão parcial das tarifas no final do ano passado, o MDIC estima que 22% das exportações brasileiras ainda estejam sujeitas a alíquotas extras, variando entre 40% e 50%.
As importações de produtos norte-americanos também sentiram o impacto, caindo 10,9% e totalizando US$ 3,07 bilhões. O resultado dessa dinâmica foi um déficit na balança comercial bilateral, com o Brasil registrando um saldo negativo de US$ 670 milhões em suas transações com os EUA.
China: Um parceiro comercial em ascensão para o Brasil
Em contrapartida ao desempenho negativo com os Estados Unidos, o comércio com a China apresentou um cenário de forte expansão. As exportações brasileiras para o gigante asiático cresceram 17,4% em janeiro, alcançando a marca de US$ 6,47 bilhões, um aumento expressivo em relação aos US$ 5,51 bilhões registrados no ano anterior. As importações da China, por outro lado, apresentaram uma leve queda de 4,9%, totalizando US$ 5,75 bilhões.
Esse desempenho favorável garantiu ao Brasil um superávit de US$ 720 milhões nas transações com a China em janeiro. A corrente de comércio, que representa a soma de importações e exportações, com a China atingiu US$ 12,23 bilhões, um acréscimo de 5,7% em relação ao período anterior. Em contraste, o intercâmbio comercial com os Estados Unidos somou US$ 5,47 bilhões, uma redução de 18%, refletindo a diminuição em ambos os sentidos das transações.
Outros mercados: União Europeia e Argentina em foco
O comércio com a União Europeia também apresentou resultados importantes, gerando um superávit de US$ 310 milhões para o Brasil. Apesar disso, a corrente comercial com o bloco europeu recuou 8,8% em janeiro, comparado ao mesmo mês de 2025. As exportações para a UE caíram 6,2%, enquanto as importações diminuíram 11,5%.
Já com a Argentina, o Brasil registrou um superávit de US$ 150 milhões, mesmo diante de uma forte retração de 19,9% no comércio bilateral. As exportações brasileiras para o país vizinho caíram 24,5%, e as importações recuaram 13,6% na comparação anual, indicando um cenário de menor dinamismo nas relações comerciais com o principal parceiro sul-americano.


