
Mercado financeiro revisa para baixo a expectativa de inflação para este ano, indicando um cenário mais favorável no controle de preços. A projeção para 2024 caiu para 3,95%, conforme o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central.
A pesquisa semanal, que compila as opiniões de diversas instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos, mostra uma tendência de desaceleração da inflação. Para 2027, a estimativa se manteve em 3,8%, e para 2028 e 2029, as previsões apontam para 3,5% em ambos os anos.
Inflação de 2026 sob controle e dentro da meta
Pela sexta semana consecutiva, a previsão para a inflação de 2026 foi reduzida, posicionando-se dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que significa um limite inferior de 1,5% e um superior de 4,5%.
Em janeiro, a alta nos preços da conta de luz e da gasolina contribuiu para que a inflação oficial do mês fechasse em 0,33%, mesmo patamar de dezembro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse resultado levou o IPCA a acumular uma alta de 4,44% em 2025, mantendo-se dentro da meta do CMN.
Taxa Selic: Juros altos e perspectiva de queda
O principal instrumento utilizado pelo Banco Central para atingir a meta de inflação é a Taxa Selic, a taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Apesar da queda recente da inflação e do dólar, o Copom manteve os juros inalterados pela quinta vez consecutiva em sua última reunião, no final de janeiro. A taxa Selic está em seu maior nível desde julho de 2006, quando era de 15,25% ao ano.
Em seu comunicado, o Copom sinalizou que pretende iniciar a redução dos juros a partir da reunião de março, desde que a inflação continue sob controle e não surjam imprevistos no cenário econômico. A expectativa dos analistas de mercado é que a taxa básica de juros caia para 12,25% ao ano até o final de 2026, mantendo a mesma projeção do Boletim Focus da semana anterior. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida para 10,5% e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve atingir 9,5% ao ano.
O aumento da Selic pelo Copom tem como objetivo conter a demanda aquecida, o que impacta os preços ao encarecer o crédito e estimular a poupança. Taxas de juros mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos consideram outros fatores ao definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Por outro lado, quando a Taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito se torne mais barato, incentivando a produção e o consumo, o que pode diminuir o controle sobre a inflação e estimular a atividade econômica.
PIB e Câmbio: Perspectivas para a economia brasileira
Nesta edição do Boletim Focus, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira em 2024 permanece em 1,8%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) também ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima uma expansão do PIB de 2% para ambos os anos.
Impulsionada pela expansão da indústria e da agropecuária, a economia brasileira cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2023, resultado que o IBGE considera como estabilidade. A divulgação do PIB consolidado de 2023 está agendada para 3 de março. Em 2023, o PIB fechou com alta de 3,4%, representando o quarto ano consecutivo de crescimento e a maior expansão desde 2021, quando o PIB atingiu 4,8%.
A previsão para a cotação do dólar está em R$ 5,50 para o final de 2024. No final de 2027, estima-se que a moeda norte-americana permaneça nesse mesmo patamar.