Defesa de Bolsonaro pede a Moraes autorização para tratamento com estímulos elétricos no crânio em presídio

Defesa de Bolsonaro solicita a Alexandre de Moraes a permissão para realizar tratamento com estímulos elétricos no crânio do ex-presidente nas dependências da Papudinha.

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou, nesta sexta-feira (20), um pedido formal ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é obter autorização para que Bolsonaro receba um tratamento de saúde específico, que envolve a aplicação de estímulos elétricos no crânio, nas instalações da Papudinha, onde ele está detido.

Conforme detalhado no requerimento apresentado pelos advogados, Bolsonaro já foi submetido a este tipo de procedimento. Durante uma internação ocorrida no final de abril de 2025, ele participou de um protocolo de neuromodulação não invasiva, conhecido como Estímulo Elétrico Craniano (CES). Este tratamento foi conduzido pelo psicólogo e neurocientista Ricardo Caiado.

A petição descreve que o tratamento é realizado através de clipes auriculares bilaterais, com sessões que duram entre 50 minutos e uma hora, enquanto o paciente permanece em repouso consciente. O procedimento visa aplicar estímulos elétricos de baixa intensidade no couro cabeludo.

Argumentos da Defesa para o Tratamento

Os advogados da defesa argumentam que, durante as primeiras aplicações da neuromodulação, que ocorreram por oito dias, foram documentadas melhoras significativas. Essas melhorias abrangeram parâmetros gerais de saúde, incluindo a qualidade do sono e a redução de sintomas de ansiedade e depressão. Além disso, o tratamento demonstrou eficácia no quadro de soluços que afligiam o ex-presidente.

“Quando das primeiras aplicações da neuromodulação, então por oito dias, foi possível documentar melhoras perceptíveis tanto nos parâmetros gerais de saúde, incluindo sono e ansiedade/depressão, como também no quadro de soluços”, afirmam os advogados na petição. Eles reforçam que, no período em que Bolsonaro se submeteu ao tratamento, houve uma melhora considerável na qualidade do sono e na cessação dos soluços.

Necessidade de Continuidade e Complementação

Com base nesses resultados positivos, a defesa sustenta que a neuromodulação seria uma complementação essencial ao tratamento medicamentoso que Bolsonaro utiliza atualmente. A continuidade do tratamento é vista como fundamental para a manutenção e aprofundamento dos benefícios observados.

No pedido encaminhado ao STF, a defesa requer a entrada do profissional de saúde e do equipamento necessário nas dependências do presídio onde Bolsonaro está detido, com frequência de três vezes por semana. As sessões são solicitadas preferencialmente ao final do dia, próximo ao horário de repouso noturno, sempre respeitando as regras de segurança da unidade prisional.

Contexto da Prisão e Estado de Saúde

Jair Bolsonaro encontra-se preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Sua transferência para esta unidade ocorreu em 15 de janeiro, após articulação envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O ex-presidente foi condenado em 11 de setembro do ano passado a 27 anos e 3 meses de prisão por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado.

A defesa tem insistido no argumento do estado de saúde de Bolsonaro para pleitear a prisão domiciliar. Contudo, um parecer médico elaborado por peritos da Polícia Federal, realizado em 20 de janeiro, concluiu que, embora o estado de saúde de Bolsonaro exija acompanhamento contínuo, ele não impede sua permanência no presídio. A análise clínica detalhou as necessidades de acompanhamento, mas não apontou impedimentos para a reclusão.

A solicitação de autorização para o tratamento com estímulos elétricos no crânio representa mais um esforço da defesa em busca de melhores condições de saúde para o ex-presidente durante o cumprimento de sua pena.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *