CNI monitora efeitos da decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas de Trump, que podem impactar exportações brasileiras em US$ 21,6 bilhões.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) está acompanhando com atenção e cautela os desdobramentos da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar tarifas globais impostas pelo ex-presidente Donald Trump. Um levantamento da entidade indica que a suspensão dessas tarifas sobre produtos brasileiros poderia gerar um impacto de US$ 21,6 bilhões nas exportações para os EUA.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos e o impacto significativo que medidas como essa podem ter no comércio brasileiro. A decisão da Suprema Corte especificamente derruba tarifas impostas com base na International Emergency Economic Powers Act (Ieepa).
No entanto, outras tarifas, como as baseadas na seção 232 da Trade Expansion Act (relacionadas à segurança nacional, como aço e alumínio) e aquelas sobre práticas comerciais consideradas desleais, continuam em vigor. A CNI alerta que isso pode levar a novas medidas dos EUA contra o comércio brasileiro, conforme divulgado nesta sexta-feira (20).
Indústria do Café Celebra Decisão, Mas Alerta para Incertezas
A indústria do café, um dos setores fortemente impactados pelas taxações, celebrou a decisão da Suprema Corte. Pavel Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), manifestou posicionamento favorável, ressaltando a importância da segurança jurídica e do respeito às competências legais no comércio internacional.
Cardoso lembrou que, mesmo com a suspensão da tarifa de 40% sobre o café em grão em novembro passado, o café solúvel continuava sendo taxado. Para a Abic, medidas unilaterais geram incertezas em toda a cadeia produtiva, e a decisão da Suprema Corte traz previsibilidade, isonomia e regras claras, fundamentais para o setor global e integrado.
Setores do Plástico e Pescado Veem Alívio e Oportunidades
A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) também acompanha a decisão com atenção, entendendo que a Corte declarou ilegais as tarifas impostas via Ieepa. A associação explica que a legislação americana permite ao presidente ‘regular’ importações, mas não autoriza a imposição de tarifas, competência que é do Congresso.
Para a Abiplast, a decisão representa um alívio relevante ao eliminar parte da imprevisibilidade no ambiente comercial. As tarifas adicionais de 10% impostas via Ieepa perdem fundamento jurídico, reduzindo a pressão sobre exportações brasileiras. Contudo, a associação segue monitorando os desdobramentos, especialmente após o anúncio de uma nova tarifa global de 10% por 150 dias pelo presidente Trump, com base em outro instrumento legal.
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) recebeu a notícia com otimismo, vendo a revogação do tarifaço como uma oportunidade estratégica para o Brasil ampliar sua presença no mercado norte-americano. A Abipesca projeta um aumento de até 100% nas exportações brasileiras de pescados para os EUA, com destaque para a cadeia produtiva da tilápia.
Indústria Têxtil Acompanha com Cautela e Defende Diálogo
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) também acompanha a decisão com cautela, assim como os desdobramentos políticos sobre novas cobranças tarifárias globais. A Abit sempre defendeu o diálogo, a previsibilidade e regras claras no comércio internacional, elementos essenciais para a segurança jurídica e o planejamento das empresas.
A associação ressalta que os EUA são o principal destino das exportações brasileiras de têxteis e confecções, e que as tarifas já aplicadas são elevadas. Medidas adicionais podem comprometer a competitividade e a viabilidade dessas exportações, sendo crucial a análise das novas propostas americanas.