CPMI do INSS: Presidente da Dataprev, Suspeitas de Fraudes e R$ 6,3 Bilhões em Desvios em Investigação

Presidente da Dataprev depõe na CPMI do INSS sobre suspeitas de falhas que podem ter favorecido fraudes milionárias

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS terá um dia crucial nesta segunda-feira (2), a partir das 16h, com a oitiva do presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção. A empresa, responsável pelo processamento de dados da Previdência Social, está no centro das investigações sobre um esquema que teria desviado ao menos R$ 6,3 bilhões.

O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI, indicou que há indícios de falhas na Dataprev que podem ter sido determinantes para a ocorrência de fraudes. Essas declarações foram feitas após análises preliminares e apontam para a necessidade de esclarecimentos diretos com o comando da estatal.

Além do presidente da Dataprev, a reunião contará com a participação de Aline Barbara Mota de Sá Cabral, ex-secretária de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e do advogado Cecílio Galvão. A expectativa é que esses depoimentos forneçam mais detalhes sobre a dinâmica do esquema investigado. As informações são parte do inquérito que apura desvios em aposentadorias entre 2019 e 2024, conforme estimado pela Polícia Federal.

Advogado Cecílio Galvão será levado coercitivamente para depor

Uma das presenças mais aguardadas é a do advogado Cecílio Galvão. Ele deverá ser levado coercitivamente ao Senado, após ter faltado a uma reunião anterior da CPMI. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), explicou que Galvão é convocado para prestar esclarecimentos sobre supostos contratos milionários firmados com associações que estariam envolvidas nos desvios de benefícios previdenciários.

A convocação coercitiva, conforme o REQ 2.787/2025, demonstra a importância que os parlamentares atribuem às informações que Galvão pode fornecer sobre as ligações entre o advogado, as associações investigadas e o esquema de fraudes.

A ex-secretária de “Careca do INSS” pode detalhar o esquema de desvios

Aline Cabral, que atuava como secretária de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, também é peça-chave na investigação. Segundo o deputado Alfredo Gaspar, Aline pode detalhar a dinâmica das empresas de Antunes (REQ 1.955/2025). Antunes é investigado por, supostamente, articular associações e sindicatos em conluio com servidores públicos.

O objetivo desse suposto esquema seria realizar descontos não autorizados em aposentadorias, desviando valores que seriam repassados aos envolvidos na fraude. A atuação de Antunes é vista como central para a articulação do esquema que lesou milhares de aposentados.

Dataprev sob forte suspeita de falhas que facilitaram fraudes de R$ 6,3 bilhões

A participação da Dataprev na CPMI é fundamental para entender como um esquema de tamanha magnitude pôde ocorrer. O senador Carlos Viana ressaltou a existência de indícios de falhas na empresa que poderiam ter favorecido as fraudes (REQ 440/2025). A estatal, que presta serviços essenciais ao INSS, é vista como um ponto nevrálgico na prevenção e detecção de irregularidades.

A Polícia Federal estima que os desvios alcançaram o montante de pelo menos R$ 6,3 bilhões, abrangendo o período de 2019 a 2024. A CPMI busca não apenas identificar os responsáveis diretos pelas fraudes, mas também as falhas estruturais e sistêmicas que permitiram que esses crimes financeiros ocorressem em larga escala.

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