Defesa de Daniel Vorcaro Pede ao STF Provas Objetivas da Prisão do Banqueiro na Operação Compliance Zero

Defesa de Daniel Vorcaro questiona STF sobre provas da prisão e pede detalhes da Operação Compliance Zero

Os advogados de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, apresentaram um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 5 de outubro, solicitando que a Polícia Federal (PF) forneça as provas objetivas que embasaram a ordem de prisão preventiva contra o banqueiro. A prisão ocorreu na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira, 4 de outubro.

A equipe de defesa alegou não ter tido acesso prévio aos elementos que fundamentaram a decisão de prender Vorcaro e outros investigados. O pedido visa obter clareza sobre os fatos que levaram à determinação do ministro André Mendonça, do STF, que apontou a possível prática de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, em contexto de organização criminosa.

Em nota oficial, assinada pelo advogado Edson Gushiken, a defesa detalhou as informações solicitadas. Entre elas, estão as datas exatas das mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, mencionadas no pedido de prisão. Os advogados também requereram provas da existência do suposto grupo de mensagens denominado “A Turma” e a confirmação da participação de Vorcaro neste grupo.

Detalhes sobre transações e pagamentos sob escrutínio

A defesa de Vorcaro também buscou mais informações sobre as datas das supostas invasões de sistemas de órgãos públicos e remoções de conteúdo em plataformas digitais. Foi requisitada a identificação do documento, número de conta e evidências que sustentariam a afirmação de bloqueio de R$ 2,2 bilhões em uma conta atribuída ao pai do empresário. Além disso, pediram documentos que comprovem supostos pagamentos feitos para manter uma estrutura de vigilância e intimidação.

Segundo a Polícia Federal, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como contador informal do grupo, era o responsável por realizar esses pagamentos. Zettel também foi preso na quarta-feira. Um dos beneficiários mencionados nas investigações é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado no celular de Vorcaro como Felipe Mourão e apelidado de Sicário. Mourão é descrito na decisão de Mendonça como responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações sensíveis aos interesses do grupo.

O estado de saúde de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, foi levado para a carceragem da Superintendência da PF em Minas Gerais. De acordo com a corporação, ele tentou o autoextermínio ao se enforcar com uma camisa na grade da cela. Os policiais o reanimaram e ele recebeu atendimento médico do Samu, sendo encaminhado para um hospital em Belo Horizonte.

Atualmente, Mourão está internado no Centro João 23, em monitoramento contínuo, com suspeita de morte cerebral. Seu estado de saúde é considerado grave, segundo informações de seus advogados. Ele recebia pagamentos mensais de R$ 1 milhão, conforme as investigações.

Antecedentes de Daniel Vorcaro na Operação Compliance Zero

Esta não é a primeira vez que Daniel Vorcaro é preso no âmbito da Operação Compliance Zero. Em novembro de 2025, ele foi detido no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava deixar o país. Naquela ocasião, a operação focava na investigação da emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras, incluindo o Banco Master.

Vorcaro foi solto onze dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região. Na época, ele e seus sócios foram obrigados a usar tornozeleiras eletrônicas, proibidos de atuar no setor financeiro, de manter contato entre si ou com outros investigados, e impedidos de sair do país.

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