Tensões no Oriente Médio: Um cenário de altos e baixos para o comércio exterior brasileiro
O agravamento das tensões no Oriente Médio gera um cenário de efeitos mistos para o comércio exterior do Brasil. Enquanto as exportações de combustíveis podem registrar um aumento, as vendas de alimentos podem sofrer um impacto negativo temporário. A análise é de Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Conflitos na região historicamente pressionam o preço do petróleo no mercado internacional. Essa alta tende a beneficiar o Brasil, que é um exportador líquido do produto. O aumento do valor do barril de petróleo no cenário global se reflete diretamente no saldo da balança comercial brasileira de combustíveis, impulsionando a receita.
No entanto, o Oriente Médio é um mercado crucial para diversos produtos agrícolas brasileiros. Países da região são grandes compradores de carne de frango, milho, açúcar e produtos halal. Uma eventual instabilidade pode afetar temporariamente o fluxo dessas exportações, mas a demanda essencial por alimentos deve se normalizar.
Conforme dados do Mdic, o Oriente Médio representa uma parcela significativa das exportações brasileiras de alguns produtos. Cerca de 32% do milho exportado pelo Brasil tem como destino a região, assim como 30% da carne de aves e 17% do açúcar. A carne bovina também tem sua participação, com 7% das vendas indo para o Oriente Médio.
Mudanças no comércio com os principais parceiros
Os dados da balança comercial também revelam alterações importantes nas relações comerciais do Brasil com seus principais parceiros. As exportações para os Estados Unidos apresentaram uma queda de 20,3% em fevereiro, totalizando US$ 2,523 bilhões. As importações também recuaram, resultando em um saldo comercial negativo de US$ 265 milhões com o país.
Essa retração nas vendas para os EUA é vista como uma consequência da sobretaxa de 50% imposta pelo governo americano em 2025, que foi derrubada pela Suprema Corte no final de fevereiro. Os efeitos completos dessa decisão na balança comercial devem ser sentidos nos próximos meses.
China se destaca com forte crescimento nas exportações
Em contrapartida, a China demonstra um desempenho robusto. As exportações brasileiras para o país asiático cresceram 38,7% em fevereiro, atingindo US$ 7,220 bilhões. As importações da China, por sua vez, caíram 31,3%, resultando em um superávit de US$ 1,73 bilhão para o Brasil na balança comercial com o gigante asiático.
Um fator relevante para a variação nas importações chinesas foi a compra de uma plataforma de petróleo de cerca de US$ 2,5 bilhões, adquirida da Coreia do Sul. Essa transação impactou as estatísticas comerciais da região e do setor.
União Europeia e Argentina: Cenários distintos
O comércio com a União Europeia também apresentou resultados positivos para o Brasil. As exportações para o bloco cresceram 34,7% em fevereiro, totalizando US$ 4,232 bilhões, enquanto as importações recuaram 10,8%. O resultado foi um superávit de US$ 931 milhões.
Já a relação comercial com a Argentina mostrou uma retração em ambos os sentidos. As exportações brasileiras caíram 26,5%, e as importações recuaram 19,2%. Apesar disso, o Brasil manteve um superávit de US$ 207 milhões com o país vizinho.



