Justiça Liberta Mãe que Matou Filho em João Pessoa Após Anos de Violência Doméstica: Legítima Defesa Reconhecida

Justiça absolve mãe em João Pessoa que matou filho em legítima defesa após anos de violência doméstica

A Justiça da Paraíba tomou uma decisão significativa ao absolver uma mulher de 51 anos, acusada de matar o próprio filho a facadas em 2023, no bairro das Indústrias, em João Pessoa. A absolvição ocorreu sob o entendimento de que a mulher agiu em **legítima defesa**, diante de um histórico de **violência doméstica** e agressões constantes por parte do filho.

O caso, que chocou a comunidade local na época, envolve uma tragédia familiar marcada por anos de conflitos e agressões. A defesa da mulher apresentou argumentos que detalham um cenário de sofrimento e medo, culminando no trágico desfecho.

Conforme relatado pelo advogado Luís Pereira, que defendeu a acusada, identificada como Vânia, o filho era usuário de drogas e possuía um histórico criminal. Ele já havia cumprido pena por homicídio e, segundo a defesa, era conhecido por praticar **violência doméstica** contra a própria mãe.

A noite do crime e a tentativa de proteger o neto

Na noite do crime, o filho teria passado horas consumindo álcool e iniciou uma nova discussão acalorada dentro de casa. Durante o embate, a situação se agravou quando o homem passou a agredir o próprio sobrinho, neto da acusada. Vânia tentou intervir para proteger o neto das agressões.

Nesse momento de tensão, o filho teria se voltado contra a mãe, empurrando-a e proferindo ameaças. Buscando se defender da agressão iminente e injusta, a mulher pegou uma faca que estava à mão. Mesmo assim, o filho continuou avançando em sua direção.

Um único golpe e o pedido de perdão

Diante da persistência da agressão, Vânia desferiu um único golpe com a faca, que atingiu uma região fatal do filho. Após o ocorrido, a mulher, mesmo em choque, ainda tentou socorrer o homem.

Um dos momentos mais tocantes e marcantes do caso ocorreu logo após a agressão. Segundo o advogado, em seus últimos momentos de consciência, mãe e filho chegaram a trocar **pedidos de perdão**. O filho teria se desculpado pelas agressões sofridas pela mãe ao longo dos anos, e os dois selaram um momento de reconciliação.

Da Vara do Júri para a absolvição por legítima defesa

Inicialmente, o caso foi encaminhado para o Tribunal do Júri, órgão responsável por julgar crimes dolosos contra a vida. No entanto, com o surgimento de fortes indícios de **legítima defesa**, o processo foi transferido para uma vara comum.

Após analisar as provas e ouvir testemunhas, a Justiça concluiu que a mulher agiu para **repelir uma agressão injusta e iminente**, utilizando um meio moderado e proporcional à ameaça que enfrentava. A juíza fundamentou a decisão nos preceitos da **legítima defesa**, previstos no Código Penal brasileiro.

A decisão ressaltou que, ao desferir apenas um golpe, a mulher demonstrou uma **reação proporcional** diante do perigo real. A absolvição representa um alívio jurídico para Vânia, que se apresentou espontaneamente à polícia na época do crime e respondeu ao processo em liberdade.

Um caso com marcas profundas

Apesar da vitória jurídica, o advogado Luís Pereira destacou que o caso deixa **marcas profundas e inegáveis**. “Do ponto de vista jurídico houve uma vitória, mas do ponto de vista humano é uma tragédia. Uma mãe perdeu um filho”, afirmou.

Vânia, que trabalha como catadora de recicláveis, agora busca reconstruir sua vida após vivenciar anos de violência doméstica e a dolorosa perda de seu filho, em um desfecho trágico que a Justiça reconheceu como um ato de defesa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *