BNDES reduz juros e amplia prazos de crédito para mulheres em cooperativas
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou uma importante iniciativa para fortalecer o empreendedorismo feminino em cooperativas de crédito. A partir de abril, mulheres associadas a essas instituições financeiras terão acesso a empréstimos com taxas de juros mais baixas e prazos de pagamento estendidos, visando a democratização do acesso ao crédito e o fomento de seus negócios.
Essa medida, divulgada em evento alusivo ao Dia Internacional da Mulher, busca diminuir a disparidade na contratação de financiamentos, onde atualmente apenas 27% das operações do BNDES são realizadas por mulheres. O objetivo é impulsionar a participação feminina, reconhecendo seu papel crucial no cooperativismo e na economia.
As novas condições de crédito foram apresentadas pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, que destacou o cooperativismo como prioridade para o banco. Conforme informação divulgada pelo BNDES, a intenção é construir um acesso mais equitativo, aumentando a participação das mulheres em cooperativas, que trazem resultados e segurança para famílias, muitas vezes lideradas por mães solo ou responsáveis por pequenos negócios.
Condições de Crédito Mais Favoráveis para Mulheres Cooperadas
A principal novidade é a redução do spread bancário, que impacta diretamente o custo final do empréstimo. Para cooperadas nas regiões Norte e Nordeste, a remuneração do banco nos financiamentos cairá de 0,85% para 0,50% ao ano. Nas demais regiões do país, a taxa será reduzida de 1,25% para 0,85% ao ano. Essa diminuição visa tornar o crédito mais atrativo e acessível.
Além da redução nas taxas de juros, o BNDES ampliará o prazo para quitação dos financiamentos, que passará de 12 para até 15 anos. Adicionalmente, será concedido um período de carência de dois anos, tempo para que as empreendedoras comecem a amortizar o empréstimo. Essa flexibilização busca aliviar o fluxo de caixa e aumentar a capacidade de investimento das mulheres.
Impacto e Potencial do Cooperativismo de Crédito
O cooperativismo de crédito é uma ferramenta poderosa para inclusão financeira e desenvolvimento regional, segundo a diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES, Maria Fernanda Coelho. Atualmente, as cooperativas de crédito no Brasil contam com cerca de 20 milhões de associados, sendo que aproximadamente 44,5% são mulheres. A iniciativa do BNDES visa estimular ainda mais essas empreendedoras a acessarem crédito, fortalecerem suas cooperativas e expandirem suas oportunidades de geração de renda.
Desde 2023, o BNDES tem aprimorado seu programa de financiamento para cooperativas, elevando o limite de crédito de R$ 30 mil para até R$ 100 mil. Entre 2023 e 2025, o volume de crédito repassado por bancos cooperativos e cooperativas de crédito com recursos do BNDES alcançou impressionantes R$ 99,5 bilhões, demonstrando a força do setor.
Iniciativas Adicionais para o Desenvolvimento Feminino
O evento também marcou o anúncio de outras medidas direcionadas ao empoderamento feminino. O programa BNDES Periferias destinará até R$ 80 milhões para apoiar organizações que desenvolvam programas de capacitação para mulheres empreendedoras em favelas e áreas periféricas. Essas iniciativas incluem formação profissional, gestão, mentorias e acesso a mercados.
O programa também incentivará projetos focados no “trabalho de cuidado”, como cuidados domiciliares para crianças, idosos ou pessoas com deficiência, lavanderias coletivas e cozinhas comunitárias. A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, ressaltou que as periferias são territórios onde as mulheres enfrentam maior vulnerabilidade, e que essas ações visam oferecer suporte essencial.
Segurança e Combate à Violência Contra a Mulher
Em outra frente, o BNDES lançou uma linha de financiamento para estados e municípios que implementam políticas públicas de segurança da mulher. Os recursos poderão ser utilizados na construção de delegacias da mulher, fortalecimento da patrulha Maria da Penha e melhoria da iluminação pública, com financiamento de até 90% do valor do projeto e prazo de até 24 anos.
A diretora Tereza Campello enfatizou que essas ações são fundamentais para reduzir os fatores de risco que perpetuam a violência contra a mulher. O presidente do BNDES também assinou a adesão ao Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, reafirmando o compromisso institucional com a igualdade de gênero e o combate à violência.
