Dólar encosta em R$ 5,25 com agravamento da guerra no Oriente Médio e inflação brasileira acima do esperado
O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de forte turbulência nesta quinta-feira (12). O dólar comercial disparou, aproximando-se da marca de R$ 5,25, enquanto a bolsa de valores, o Ibovespa, interrompeu uma sequência de altas e registrou queda superior a 2%.
A escalada das tensões no Oriente Médio e a divulgação de dados de inflação no Brasil acima das expectativas foram os principais motores dessa instabilidade. O cenário global e os fatores internos se combinaram para pressionar os ativos brasileiros, refletindo a aversão ao risco no mercado internacional.
Conforme informação divulgada pela Reuters, o dólar comercial encerrou o dia negociado a R$ 5,242, com uma alta expressiva de R$ 0,084, o que representa um avanço de 1,62%. A cotação chegou a flertar com a estabilidade nos primeiros momentos da negociação, mas sofreu um forte impulso após a abertura do mercado americano, alcançando seu pico próximo ao fechamento do pregão.
Impacto da Guerra no Oriente Médio no Petróleo e Câmbio
O principal gatilho para a volatilidade foi a disparada nos preços do petróleo. A cotação do barril do tipo Brent, referência internacional, fechou em US$ 101,26, registrando uma alta superior a 8%. Esse movimento ocorreu após o novo líder do Irã, Aiatolá Mojtaba Khamenei, anunciar a intenção de manter o fechamento do Estreito de Ormuz, um ponto crucial para o transporte de cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
A situação se agravou com notícias de que o Irã incendiou dois petroleiros em águas iraquianas e atacou três navios no Golfo Pérsico, intensificando o conflito na região. Esses eventos aumentam a incerteza geopolítica e elevam os temores sobre a oferta global de energia, impactando diretamente as moedas de países emergentes.
Inflação Brasileira e Seus Reflexos na Taxa Selic
No cenário doméstico, a inflação oficial em fevereiro adicionou pressão sobre o mercado. Embora o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha apresentado uma desaceleração no acumulado de 12 meses, a taxa de 0,7% registrada no mês passado superou a expectativa de 0,65% da maioria das instituições financeiras. Uma inflação mais alta que o previsto pode reduzir as chances de o Banco Central promover um corte de 0,5 ponto percentual na Taxa Selic.
Taxas de juros básicas elevadas tendem a desestimular investimentos em renda variável, como ações, pois tornam a renda fixa, como títulos do Tesouro Nacional, mais atrativa. Isso pode explicar, em parte, a queda do Ibovespa, que fechou aos 179.284 pontos, com uma desvalorização de 2,55%.
Desempenho do Real e Comparativo com Outras Moedas Emergentes
O real brasileiro apresentou um desempenho semelhante ao de outras moedas de países emergentes, como o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano. Com a alta observada nesta quinta-feira, a divisa brasileira acumula uma desvalorização de 4,42% em 2026. Esse cenário reforça a fragilidade da moeda frente a eventos de aversão ao risco global.
Bolsa Interrompe Recuperação em Dia de Instabilidade
O mercado de ações, que vinha de três sessões consecutivas de recuperação, não conseguiu sustentar o ritmo. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o dia em baixa de 2,55%, refletindo o pessimismo generalizado e os receios quanto ao futuro da economia diante dos fatores de instabilidade mencionados. A queda da bolsa, aliada à alta do dólar, configura um quadro de maior incerteza para os investidores.


