
Mistério em João Pessoa: Quem era Chantal Dechaume, a francesa encontrada morta em mala carbonizada?
O caso que chocou João Pessoa, na Paraíba, teve sua identidade revelada. Chantal Etiennette Dechaume, uma francesa de 73 anos, foi encontrada morta dentro de uma mala e com o corpo carbonizado no bairro de Manaíra. A Polícia Civil da Paraíba investiga o crime como **feminicídio**, e as primeiras apurações apontam para o companheiro da vítima como principal suspeito.
Altamiro Rocha dos Santos, natural do Rio Grande do Sul e companheiro de Chantal, foi posteriormente encontrado morto em outro bairro da capital paraibana, em circunstâncias que também estão sob investigação policial. A descoberta dos corpos em menos de 24 horas levanta uma série de questionamentos sobre os eventos que culminaram nesta tragédia.
Conforme informações divulgadas pela Polícia Civil, o corpo de Chantal Dechaume foi localizado na noite de 10 de março. A mala com os restos mortais foi deixada na Rua Francisco Brandão, em Manaíra. Imagens de câmeras de segurança foram cruciais para a reconstituição dos fatos, mostrando o suspeito retirando a mala do apartamento onde a vítima estava hospedada.
A Sequência Chocante Revelada pelas Câmeras
As gravações de segurança desvendam uma sequência de eventos perturbadores. No sábado, 7 de março, Chantal saiu e retornou ao apartamento, sendo vista pela última vez nesse dia. Na segunda-feira, 9 de março, o companheiro deixou o local para comprar álcool e retornou minutos depois com o produto. A ação mais suspeita ocorreu na noite de terça-feira, 10 de março, quando o homem foi filmado saindo do apartamento com a mala contendo o corpo de Chantal, que foi abandonada na calçada.
Horas depois, na madrugada de quarta-feira, 11 de março, um homem em situação de rua teria ateado fogo ao corpo. A polícia suspeita que ele tenha agido em troca de drogas. Este segundo indivíduo ainda não foi localizado pelas autoridades, e a busca por ele continua como parte da investigação.
Causa da Morte e Suspeitas de Abuso
A perícia, liderada pelo médico legista Flávio Fabres, do Instituto de Polícia Científica (IPC), determinou que a causa da morte de Chantal Dechaume foram **golpes de objeto pontiagudo na região do tórax**. Isso confirma que a vítima já estava morta antes de o corpo ser incendiado, descartando a hipótese de morte por fogo.
Moradores do prédio onde Chantal estava hospedada relataram à polícia um odor forte vindo do apartamento. O companheiro, Altamiro Rocha dos Santos, chegou a alegar que o cheiro seria de couro queimado, usado por ele em trabalhos de artesanato. Essa justificativa não convenceu as autoridades diante da gravidade dos fatos.
O Fim do Companheiro e Hipóteses da Polícia
Na manhã de 12 de março, o corpo de Altamiro Rocha dos Santos foi encontrado no bairro João Agripino, também em João Pessoa. Ele estava com as mãos e pés amarrados e apresentava uma **lesão profunda no pescoço**. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que a morte de Altamiro possa estar ligada a integrantes de uma facção criminosa, que teriam reagido à repercussão do crime contra Chantal, atraindo atenção policial para a região.
Ninguém foi preso até o momento pelo segundo homicídio. A investigação sobre a morte de Altamiro busca identificar os responsáveis e as circunstâncias exatas de seu falecimento, que adiciona mais uma camada de complexidade a este caso.
O Relacionamento e a Vida de Chantal Dechaume
Segundo o delegado responsável pelo caso, Chantal Dechaume conheceu Altamiro na orla de João Pessoa. Após se aposentar como enfermeira obstetra na França, ela decidiu viver na capital paraibana. Altamiro, que comercializava artesanato, passou a receber a ajuda de Chantal. Durante a pandemia, ela o abrigou em sua residência, e a partir daí iniciaram um relacionamento amoroso.
Vizinhos relataram que Altamiro seria **usuário de drogas**, e que esse vício teria se intensificado nos últimos dias, o que pode ter contribuído para os eventos trágicos. Os registros administrativos da França indicam que Chantal atuava como enfermeira no município de Cournonsec, no sul do país, encerrando sua atividade profissional em abril de 2019, o que sugere que ela já estava aposentada.
A Polícia Civil da Paraíba considera o crime contra Chantal Dechaume **esclarecido**, apontando o companheiro como autor do homicídio. No entanto, um inquérito segue em andamento para apurar a morte de Altamiro Rocha dos Santos e para identificar o homem que incendiou o corpo da vítima. As autoridades continuam investigando possíveis participações de terceiros e outras circunstâncias relacionadas a este caso sombrio.



