
Investigação policial aponta namorado como autor de carbonização de mulher em João Pessoa; ambos são encontrados mortos
Uma investigação da Polícia Civil aponta que Altamiro Rocha dos Santos, de Canoas (RS), é o principal suspeito de matar Chantal Etiennette Dechaume, 73, de nacionalidade francesa, que foi encontrada carbonizada em João Pessoa (PB). Ambos foram achados mortos em circunstâncias distintas, levantando hipóteses sobre a atuação de uma facção criminosa.
A Polícia Civil suspeita que a morte de Altamiro possa ter relação com a insatisfação de integrantes de uma facção criminosa. Acredita-se que o grupo não teria gostado da atenção policial atraída para a região do bairro de Manaíra devido ao crime contra Chantal. Nenhuma prisão foi efetuada até o momento referente a este segundo crime.
O homem identificado como autor da carbonização não é o mesmo que cometeu o homicídio contra a mulher. Imagens de câmeras de segurança registraram um homem em situação de rua ateando fogo ao corpo. Segundo a investigação, este indivíduo teria aceitado realizar o ato em troca de drogas, após um acordo com o namorado da vítima, Altamiro Rocha dos Santos. Este homem em situação de rua não foi localizado pelas autoridades até o fechamento desta reportagem.
A dinâmica dos fatos indica que Altamiro utilizava substâncias entorpecentes, e Chantal não aprovava esse uso. Vizinhos relataram episódios de discussão entre o casal há algumas semanas, embora as investigações apontem que os desentendimentos não eram constantes.
O caso da morte da mulher francesa é considerado elucidado pela Polícia Civil. No entanto, um inquérito segue em andamento para apurar as circunstâncias da morte de Altamiro Rocha dos Santos. O corpo de Chantal Etiennette Dechaume, por ser estrangeira e não possuir familiares na Paraíba, levará a Polícia Civil a acionar o consulado da França para tentar localizar parentes que possam fazer a remoção do corpo.
Caso familiares de Altamiro Rocha dos Santos não sejam localizados, a polícia paraibana deverá contatar a Polícia Civil do Rio Grande do Sul para verificar a existência de parentes que possam reclamar o corpo.
Cronologia detalhada dos eventos revela a sequência dos crimes
- 07/03 (Sábado) – 17h35: Chantal Etiennette Dechaume sai do apartamento.
- 07/03 (Sábado) – 18h30: A vítima retorna ao apartamento e não sai mais.
- 09/03 (Segunda) – 22h00: O namorado sai para comprar um galão de álcool.
- 09/03 (Segunda) – 22h16min: Altamiro Rocha dos Santos retorna com o galão.
- 10/03 (Terça) – 22h06min: O namorado sai do apartamento transportando o corpo da vítima em uma mala.
- 10/03 (Terça) – 22h36min: O corpo é deixado na calçada.
- 10/03 (Terça) – 23h04min: Altamiro retorna ao apartamento com o carrinho usado para transportar a mala.
- 11/03 (Quarta) – 01h50min: O namorado volta ao local com o galão de álcool e encontra um morador de rua.
- 11/03 (Quarta) – 01h55min: O homem em situação de rua ateia fogo na vítima.
O delegado Thiago Cavalcanti informou que, segundo os elementos da investigação, Chantal já estaria morta na manhã de terça-feira (10).
O corpo de Chantal foi encaminhado ao Instituto de Polícia Científica (IPC), onde o médico legista Flávio Fabres determinou que a causa da morte foram golpes de faca na região do tórax. Já na manhã de quinta-feira (12), o corpo de Altamiro foi encontrado no bairro do João Agripino, com as mãos e pés amarrados e uma lesão profunda no pescoço, indicativa de esgorjamento, sem outras marcas visíveis, segundo a delegada Maria das Dores. Nenhum parente o reconheceu no local.
