Dólar atinge o maior patamar em meses com conflito no Oriente Médio, enquanto Ibovespa sente o impacto da aversão ao risco.
A escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, provocou um dia de **nervosismo nos mercados financeiros globais**. O dólar americano fechou em **R$ 5,316 nesta sexta-feira (13)**, registrando o maior valor desde janeiro, impulsionado pela busca por ativos considerados mais seguros em momentos de incerteza. O cenário de instabilidade também afetou a bolsa brasileira, com o Ibovespa em queda.
O agravamento do conflito e as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre intensificar ações militares contra o Irã, aumentaram as preocupações sobre um conflito prolongado e seus efeitos na economia, incluindo o preço da energia. Essa conjuntura global levou a uma **reversão na tendência de valorização do real** observada nos meses anteriores.
Conforme informações divulgadas pelo mercado financeiro, o dólar subiu 1,41% no dia, atingindo a máxima de R$ 5,325. Este desempenho reflete um movimento global de busca por segurança em ativos como o dólar. Na semana, a moeda acumulou alta de 1,38%, e em março, a valorização já chega a 3,55%, recuperando parte da queda de fevereiro. Apesar disso, no acumulado de 2026, o dólar ainda apresenta desvalorização de cerca de 3,15% frente ao real.
Realização de Lucros e Saída de Recursos no Mercado Brasileiro
O mercado cambial brasileiro apresentou o **pior desempenho entre as principais moedas emergentes**. Houve uma saída expressiva de recursos do país, com investidores aproveitando a cotação para comprar dólares, após o forte desempenho do real nos primeiros meses do ano. Essa movimentação contribuiu para a pressão de alta sobre a moeda americana.
Intervenção do Banco Central para Estabilizar o Mercado
Diante da volatilidade, o **Banco Central realizou uma operação de “casadão”** pela manhã. A ação envolveu a venda de US$ 1 bilhão no mercado à vista e a oferta de 20 mil contratos de swap cambial reverso, equivalente à compra de dólar futuro. A intervenção visou amenizar a pressão no mercado cambial e a redução da liquidez em dólar no país.
Fortalecimento do Dólar Global e Mudanças na Política Monetária dos EUA
No cenário internacional, o **Dollar Index (DXY)**, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, superou a marca de 100 pontos pela primeira vez desde novembro de 2025, encerrando o dia próximo de 100,5 pontos, com alta semanal superior a 1,6%. Analistas apontam que, além da busca por proteção, este movimento também reflete **mudanças nas expectativas da política monetária dos Estados Unidos**. A alta do petróleo e as incertezas inflacionárias levam investidores a reduzir apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve.
Ibovespa em Queda Livre com Aumento das Incertezas Geopolíticas
O mercado acionário brasileiro também sentiu o impacto da aversão ao risco. O **Ibovespa caiu 0,91%, fechando aos 177.653 pontos**, o menor nível desde 22 de janeiro. A bolsa operou em baixa durante a maior parte do pregão, perdendo força na segunda metade do dia. Na semana, o Ibovespa acumulou um recuo de 0,95%, após uma queda mais acentuada na semana anterior. Mesmo com o desempenho recente negativo, o índice ainda registra valorização de 10,26% no acumulado de 2026, mas em março, a baixa já atinge 5,9%.
A queda na bolsa reflete o aumento das **incertezas geopolíticas**, com o risco de ampliação do conflito envolvendo o Irã. As declarações de Donald Trump sobre a possibilidade de intensificar ataques elevaram a cautela dos investidores, especialmente antes do fim de semana. A tensão geopolítica também impulsionou o preço do petróleo Brent, que avançou 2,67% e fechou a US$ 103,14 por barril, acumulando ganho semanal de cerca de 11%. A commodity já sobe mais de 40% em março e aproximadamente 70% no ano.
