BNDES propõe Novo Plano Brasil Soberano 2 para proteger exportadoras de tarifas americanas e impulsionar setores estratégicos

BNDES defende novo Plano Brasil Soberano para amparar exportadoras brasileiras contra tarifas e instabilidade global

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, apresentou uma proposta para a criação de um novo Plano Brasil Soberano. O objetivo é oferecer suporte a exportadoras brasileiras que enfrentam dificuldades devido a tarifas impostas por outros países, especialmente os Estados Unidos. A iniciativa visa também abranger setores estratégicos e aqueles impactados por conflitos geopolíticos globais.

Mercadante destacou que a proposta não se limita apenas a empresas exportadoras, mas também pode incluir setores com balança comercial deficitária, ou seja, que importam mais do que exportam. A medida busca aumentar a resiliência da economia nacional em um cenário internacional cada vez mais volátil e complexo.

As declarações foram feitas durante a apresentação do balanço financeiro do BNDES em 2025. Conforme divulgado pelo banco, o programa anterior, lançado em agosto de 2025, destinou R$ 19,5 bilhões a 676 empresas exportadoras afetadas por tarifas americanas. Uma parte significativa desses recursos, R$ 6 bilhões, permanece disponível no caixa do banco, o que, segundo Mercadante, eliminaria a necessidade de novos custos para o orçamento público.

Recursos disponíveis e caminho para aprovação

O montante de R$ 6 bilhões que não foi utilizado no primeiro Plano Brasil Soberano pode ser realocado para um novo programa. Mercadante explicou que, para isso, é necessária uma definição legal específica, que pode ser viabilizada por meio de uma Medida Provisória aprovada pelo Congresso Nacional. Ele mencionou que já existem conversas avançadas com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o Ministério da Fazenda, cabendo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a decisão final.

Impacto das tarifas americanas e a Seção 232

O Plano Brasil Soberano original foi criado para mitigar os efeitos das tarifas americanas, que em 2025 chegaram a 50% para alguns produtos brasileiros. Embora uma decisão da Suprema Corte dos EUA tenha derrubado parte dessas tarifas em fevereiro de 2025, impondo uma taxa global de 15%, Mercadante alertou que alguns setores continuam sob tarifação elevada. Ele citou a **Seção 232 da legislação americana**, que permite a imposição de tarifas por razões de segurança nacional. Setores como siderurgia, alumínio e cobre ainda enfrentam taxas de 50%, enquanto o setor automotivo e de autopeças sofrem com 25%.

Expansão do programa para outros setores estratégicos

O presidente do BNDES defende que o novo plano ampare não apenas exportadoras, mas também setores com déficits comerciais e aqueles considerados estratégicos. Ele citou o exemplo do setor de fertilizantes, cujos principais produtores estão envolvidos em conflitos como as guerras na Ucrânia e na Rússia, e no Irã. A inclusão desses setores visa garantir maior resiliência e capacidade de resposta do Brasil em cenários geopolíticos turbulentos.

Posição do BNDES sobre a recuperação da Raízen

Em outro ponto, Aloizio Mercadante reiterou o empenho do BNDES em encontrar uma solução para a situação financeira da Raízen, gigante de biocombustíveis. A empresa entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 65,1 bilhões em dívidas. Mercadante assegurou que a dívida da Raízen com o BNDES, que possui garantias reais, não será incluída nessa renegociação. O banco busca ativamente participar da solução, acreditando na recuperação da empresa devido aos seus ativos importantes e peso no setor de biocombustíveis.

Estudo sobre o fim da escala 6×1

Mercadante também comentou sobre a possibilidade de o BNDES apoiar financeiramente empresas afetadas pelo fim da escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho e um de folga), uma prioridade do governo que pode gerar custos adicionais para os negócios. Ele informou que o banco está estudando o assunto, mas ainda não há informações concretas sobre possíveis apoios, aguardando uma definição do governo.

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