Unicef Alerta: Falta de Água em Escolas Prejudica 75 Mil Alunos, Afetando Saúde e Aprendizado

Unicef destaca urgência em garantir água potável em todas as escolas brasileiras

Apesar de uma melhora significativa, 1.203 escolas públicas no Brasil ainda não oferecem acesso à água potável para cerca de 75 mil estudantes. A informação, divulgada pelo Censo Escolar em fevereiro, acende um alerta do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) às vésperas do Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo (22).

A falta desse recurso essencial compromete a higiene básica, a qualidade da merenda escolar, a saúde dos alunos e a dignidade menstrual, fatores cruciais para um ambiente de aprendizado eficaz e seguro. O Unicef ressalta que a situação é mais crítica nas zonas rurais, onde se concentram 96% das escolas desabastecidas.

Rodrigo Resende, oficial de Água, Saneamento e Higiene do Unicef no Brasil, aponta que este é um déficit histórico, reflexo dos desafios na implementação de políticas públicas, especialmente na Amazônia e no Semiárido. “É preciso uma soma de esforços de entes federativos e instituições para apoiar os territórios, ampliando os investimentos e fortalecendo a capacitação de técnicos e lideranças locais”, recomenda Resende.

O engajamento das comunidades e a busca por soluções que respeitem as especificidades locais, priorizando fontes renováveis de energia, também são pontos fundamentais, segundo o Unicef.

Disparidades Sociais e Raciais Evidenciadas pela Falta de Água

No ano passado, mais de 100 mil estudantes passaram a ter acesso à água em suas escolas, um avanço importante. Contudo, o perfil dos 75 mil alunos que continuam sem esse direito revela disparidades sociais e raciais. Alunos negros compõem a maioria nas escolas sem acesso à água, e há também uma proporção significativa de crianças e adolescentes indígenas.

O oficial do Unicef, Rodrigo Resende, também destaca a vulnerabilidade de mulheres e meninas em situações de falta ou precariedade de acesso à água, especialmente durante o período menstrual. A falta de banheiros adequados pode levar à evasão escolar ou expor as alunas a situações de violência.

Impactos na Saúde e no Desenvolvimento Escolar

Além de dificultar o consumo de água e a higiene pessoal, o desabastecimento afeta diretamente a preparação dos alimentos para a merenda escolar. O Unicef considera esses três aspectos, saúde, higiene e alimentação, como pilares para o bem-estar e o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes na escola.

O Unicef tem atuado com ações concretas, como a instalação de sistemas de abastecimento de água movidos a energia solar no Amazonas e a ampliação de sistemas na região Yanomami, em Roraima. No entanto, o foco principal da organização é o apoio aos gestores para o fortalecimento das políticas públicas.

Ações e Recomendações para Superar o Desafio

Para reverter esse quadro, o Unicef defende um apoio institucional contínuo às localidades mais afetadas. A ampliação de investimentos em infraestrutura hídrica e o fortalecimento da capacitação de profissionais e lideranças locais são apontados como medidas essenciais.

A participação ativa das comunidades no planejamento e execução das soluções é vista como um diferencial para garantir a sustentabilidade e a adequação das iniciativas às realidades locais. A busca por soluções inovadoras e sustentáveis é fundamental para assegurar que todas as crianças e adolescentes tenham acesso a um ambiente escolar digno e propício ao aprendizado.

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