Médica examina bebê em UTI pediátrica

Investigação em Curso Apura Suposta Negligência Médica na Morte de Bebê em Campina Grande Após Atendimentos Múltiplos

Ministério Público e CRM-PB investigam morte de bebê de 1 ano e 6 meses após suposta negligência médica no Hospital da Criança em Campina Grande.

Investigação ministerial e médica apura falhas no atendimento a bebê que morreu em Campina Grande após quadro de saúde se agravar

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) e o Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) iniciaram uma investigação para apurar as circunstâncias da morte da menina Liana Maria Torres Balbino, de 1 ano e 6 meses. O óbito ocorreu na noite do último domingo (29), após a criança ser atendida por duas vezes no Hospital da Criança e do Adolescente de Campina Grande (HCA-CG) com sintomas gripais e posteriormente retornar em estado convulsivo. A família alega negligência médica no atendimento inicial. O caso está sendo apurado desde o dia 29, quando a notícia de fato foi instaurada.

O tio da criança, Alisson Balbino, relatou que a menina foi levada ao HCA-CG com sintomas gripais e liberada em ambas as ocasiões sem a realização de exames. A internação só ocorreu quando Liana retornou à unidade em estado convulsivo, sendo então transferida para o Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, onde chegou com edema cerebral. Apesar de ser mantida na UTI Pediátrica em estado grave, a criança não resistiu e veio a falecer. O Hospital de Emergência e Trauma informou que não se pronunciará sobre a causa da morte ou o caso, pois o quadro clínico inicial e os fatos que o originaram não ocorreram na unidade.

A Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande (SMS-CG), responsável pelo HCA-CG, manifestou solidariedade à família e confirmou que uma sindicância interna está em andamento. A pasta informou que solicitou a intervenção do MPPB para obter suporte técnico do CRM-PB na apuração, visando esclarecer os fatos, responsabilizar eventuais irregularidades e garantir a preservação dos profissionais que atuaram corretamente. A intenção é também aprimorar procedimentos institucionais para evitar novas ocorrências.

O velório de Liana ocorreu na Câmara Municipal de Remígio, cidade onde a família reside, com o sepultamento na manhã seguinte. A despedida foi marcada por forte comoção e pedidos de justiça. A família acredita que um diagnóstico adequado e intervenção precoce poderiam ter evitado a evolução grave do quadro da criança. Em vídeo divulgado durante o enterro, o tio da menina expressou sua dor e determinação em buscar justiça. “Estamos arrasados. Isso foi negligência e eu vou até o fim, os culpados vão pagar. O sentimento agora é de buscar justiça”, declarou, esperando que os responsáveis sejam punidos para que casos semelhantes não se repitam.

A promotora de Justiça Adriana Amorim, do MPPB, determinou que as direções do HCA-CG e do Hospital de Emergência e Trauma sejam notificadas para apresentar manifestação detalhada sobre o atendimento à criança no prazo de 15 dias. Deverão ser encaminhados os prontuários médicos completos, incluindo fichas de triagem, evoluções médicas e de Enfermagem, exames, prescrições e registros de atendimentos. A SMS-CG, o CRM-PB, o Instituto de Polícia Científica e o Serviço de Verificação de Óbito também foram oficiados para as providências cabíveis.

Em razão do falecimento de Liana, a Prefeitura de Campina Grande adiou o lançamento da edição 2026 d’O Maior São João do Mundo, que seria realizado no dia 29 de março, como sinal de respeito à família e em sinal de pesar. O evento foi remarcado para 8 de abril.

Conforme o relato da família, Liana Maria Torres Balbino deu entrada no HCA-CG pela primeira vez em 20 de março, com sintomas gripais. Na triagem, a médica teria minimizado a situação, sugerindo que a mãe estaria exagerando e orientando retorno para casa com dipirona. No dia 23, a família retornou ao hospital com vômitos e leve dificuldade respiratória. O médico plantonista prescreveu apenas soro, medicação e lavagem nasal, sem solicitar exames ou indicar internação. Na madrugada do dia 24, a criança foi levada novamente ao HCA-CG em estado mais grave, com convulsões, sendo entubada na ala vermelha e transferida para o Hospital de Emergência e Trauma. No Trauma, a menina chegou com ventilação mecânica e em estado gravíssimo, com diagnóstico de edema cerebral após exames. Ela permaneceu internada, mas não resistiu.

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