
IGP-M desacelera em março, mas com pressões pontuais em commodities e combustíveis
A chamada inflação do aluguel, representada pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), registrou uma alta de 0,52% em março. Este resultado representa uma desaceleração em relação aos 0,73% observados em fevereiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Apesar da alta mensal, o acumulado em 12 meses do IGP-M apresenta uma deflação de 1,83%, indicando uma tendência de queda nos preços em um período mais extenso. Os números refletem a volatilidade dos mercados e o impacto de eventos globais na economia brasileira.
A variação do IGP-M em março foi influenciada principalmente pela performance do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do indicador geral. O IPA apresentou alta de 0,61%, impulsionado por produtos agropecuários e derivados de petróleo.
Agropecuária e Petróleo Ditando o Ritmo Mensal
O economista do Ibre, Matheus Dias, destacou que a pressão de alta no IPA veio da agropecuária, com aumentos significativos em itens como bovinos, ovos, leite, feijão e milho. Os ovos, por exemplo, tiveram uma alta de 16,95% em março, após já terem subido 14,16% em fevereiro.
O feijão também registrou um encarecimento expressivo, com alta de 20,91% no mês, seguindo a tendência de 13,77% de fevereiro. Esses aumentos na cadeia produtiva impactam diretamente os custos para os produtores.
Outro fator relevante apontado por Dias foi o reflexo do cenário geopolítico internacional no IGP-M. O agravamento da situação no Oriente Médio, com conflitos envolvendo países produtores de petróleo, já se reflete nos preços dos derivados de petróleo.
Impacto Geopolítico e Reajustes de Aluguel
O subgrupo de produtos derivados de petróleo subiu 1,16% em março, uma reversão significativa em relação à deflação de 4,63% observada em fevereiro. Essa mudança sinaliza uma possível reversão na trajetória recente desses preços, embora o acumulado em 12 meses para este subgrupo ainda seja negativo em -14,13%.
O conflito no Oriente Médio, desencadeado em 28 de fevereiro, afeta rotas estratégicas e a produção de petróleo, gerando distorções na cadeia e elevando preços no mercado global. Essa instabilidade é um dos motivos para a pressão em certos segmentos do IGP-M.
O IGP-M é amplamente conhecido como a inflação do aluguel, pois seu acumulado de 12 meses é frequentemente utilizado como base para o reajuste anual de contratos imobiliários. Além disso, o índice é aplicado no reajuste de algumas tarifas públicas e serviços essenciais.
É importante notar que um IGP-M acumulado negativo nem sempre resulta em aluguéis mais baratos. Muitos contratos estipulam o reajuste apenas em caso de variação positiva do índice, o que pode manter os valores inalterados mesmo com deflação acumulada.
Outros Componentes do IGP-M
Além do IPA, o IGP-M é composto pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do indicador e subiu 0,30% em março. Na cesta de consumo, a gasolina foi o item que mais pressionou os custos, com expansão de 1,12%.
O terceiro componente é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que teve alta de 0,36% no mês. A FGV realiza a coleta de preços em diversas capitais brasileiras, com o período de levantamento para o IGP-M de março compreendendo entre 21 de fevereiro e 20 de março.




