Centro de distribuição logístico em João Pessoa com caminhões e atividades de carga/descarga.

Log investe R$742 milhões no Nordeste e projeta João Pessoa como hub logístico estratégico vital para o e-commerce nacional

Empresa de logística destina R$742 milhões para expansão no Nordeste, com João Pessoa se destacando como polo estratégico para o setor.

Log acelera expansão em João Pessoa com investimento de R$ 58 milhões para consolidar o Nordeste como polo logístico estratégico nacional

A Log Commercial Properties está destinando um aporte de R$ 742 milhões em um plano ambicioso de expansão na região Nordeste até 2027, com um foco particular na capital paraibana. João Pessoa emerge como um centro estratégico dentro dessa movimentação, que visa capitalizar o crescimento do setor logístico no Brasil, impulsionado pela demanda crescente e por mudanças nas cadeias de distribuição. A Paraíba recebe um investimento simbólico de R$ 58 milhões para a expansão do condomínio LOG João Pessoa.

Este projeto adicionará 27 mil m² de área bruta locável (ABL), elevando a capacidade total do empreendimento para mais de 68 mil m². A iniciativa tem previsão de gerar ao menos 400 empregos diretos, fortalecendo a economia local e regional. Um relatório da consultoria imobiliária Newmark indica que o Brasil possui 43,6 milhões de m² em condomínios logísticos, ainda com vasto potencial de expansão. No Nordeste, a taxa de vacância é notavelmente baixa, com estados como Maranhão, Sergipe e Piauí operando com ocupação total, sinalizando uma absorção rápida de novos empreendimentos.

Estratégia centrada em centros consumidores impulsiona expansão

A presença da Log em João Pessoa está alinhada a uma estratégia corporativa de longa data, focada em desenvolver condomínios logísticos próximos a grandes centros consumidores. Guilherme Trotta, diretor comercial da empresa, explica que a escolha pela capital paraibana segue essa diretriz, priorizando capitais e regiões metropolitanas com alto potencial de demanda. “A Log nasceu há 18 anos com uma estratégia muito bem definida, que seguimos até hoje, que é desenvolver condomínios logísticos próximos a centros de consumo e grandes capitais”, declarou Trotta.

“Hoje estamos presentes em todas as regiões do Brasil e João Pessoa não poderia ficar de fora, especialmente por ser uma capital relevante, com uma região metropolitana forte e um importante centro consumidor”, complementou o executivo. A viabilidade desses projetos, segundo Trotta, é influenciada por fatores como aprovação urbanística e disponibilidade de terrenos, que direcionam o ritmo de expansão.

João Pessoa se consolida como hub logístico regional

A capital paraibana já era reconhecida pelo setor como um ponto estratégico na malha de distribuição do Nordeste, devido à sua localização geográfica e proximidade com outros polos importantes como Recife e Natal. Agora, a cidade amplia seu papel como hub logístico, atraindo operações relevantes e o interesse crescente de empresas. Trotta ressalta que, mesmo em mercados consolidados, há uma demanda reprimida por galpões de alto padrão em todo o país.

“Nosso primeiro projeto teve uma procura muito forte, o que nos dá segurança para avançar”, afirmou o diretor. Ele detalha que a atual ocupação já permite o planejamento de um segundo galpão e, futuramente, de novos ativos, seguindo o modelo de expansão em fases adotado pela Log em outras capitais. “Quando desenvolvemos um condomínio logístico, fazemos isso em fases, à medida que o mercado vai consumindo os espaços e demandando novas áreas.”

Crescimento do e-commerce redefine a logística e impulsiona demanda

A expansão do comércio eletrônico é um dos principais vetores da transformação no setor logístico, elevando a necessidade de novos centros de distribuição em todo o Brasil. Atualmente, o e-commerce responde por cerca de 60% da ocupação de novos galpões logísticos. Além das vendas online, os setores farmacêutico e alimentício também são importantes motores de demanda por esses espaços. Trotta aponta que “além das vendas online, os setores farmacêutico e alimentício também têm um papel importante na demanda por esses espaços”.

Essa realidade está associada à descentralização de estoques, permitindo que produtos sejam armazenados em centros de consumo como João Pessoa, reduzindo prazos de entrega e custos operacionais. “A descentralização já é uma realidade. Hoje os produtos são estocados em centros de consumo como João Pessoa, o que permite entregas mais rápidas. Antes, a mercadoria saía de São Paulo e levava mais tempo; agora o produto já está próximo do cliente”, explicou o executivo.

Infraestrutura e gargalos logísticos no cenário nacional

Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta desafios significativos em sua infraestrutura logística, marcada pela forte dependência do transporte rodoviário e pela desigualdade de qualidade entre as regiões. “A nossa matriz é muito rodoviária e nem todas as regiões contam com infraestrutura no mesmo nível. Houve melhorias ao longo dos anos, mas ainda existem gargalos relevantes”, pontuou Guilherme Trotta.

Investimentos em obras estruturantes, como a Transnordestina, são considerados cruciais para sustentar o crescimento do setor no Nordeste, facilitando a circulação de mercadorias e ampliando a necessidade de centros de distribuição próximos aos polos de consumo. Trotta reforça que “projetos como a Transnordestina, por exemplo, têm um papel essencial, porque permitem uma melhor circulação de mercadorias entre os estados e aumentam a necessidade de centros de distribuição próximos aos polos de consumo.”

Impacto econômico e social da expansão logística

A expansão de empreendimentos logísticos gera um impacto econômico direto nas localidades onde são instalados, com destaque para a criação de empregos e o desenvolvimento social. No caso da ampliação do LOG João Pessoa, a expectativa é a geração de pelo menos 400 novos postos de trabalho. “O impacto é muito maior do que apenas construir galpões. Estamos falando de geração de empregos, desenvolvimento econômico e inclusão social no entorno dos empreendimentos”, afirmou o diretor.

A Log também implementa iniciativas sociais em comunidades próximas aos seus ativos, focando em capacitação e apoio nas áreas de educação e saúde. A presença desses condomínios logísticos estimula a atração de novas indústrias, criando um ambiente favorável à industrialização e ao crescimento econômico. “Existe um efeito multiplicador claro. Centros logísticos atraem indústrias, e indústrias também passam a se instalar próximas a esses centros. É um sistema integrado, que depende de conectividade e infraestrutura para funcionar de forma eficiente”, destacou Trotta.

Nordeste se consolida como eixo logístico nacional

O avanço do Nordeste no setor logístico reflete uma mudança estrutural no país, onde localização estratégica, conectividade e eficiência ganham primazia sobre incentivos fiscais isolados. A região, já com hubs como Suape (PE) e Pecém (CE), amplia sua relevância ao integrar portos, rodovias e aeroportos em uma malha eficiente. Trotta considera o Nordeste um dos principais eixos logísticos do Brasil: “A demanda por consumo é alta e a exigência por entregas rápidas faz com que a região seja cada vez mais estratégica para as empresas.”

Com a combinação de demanda aquecida, investimentos em expansão e transformação nas cadeias de distribuição, João Pessoa está posicionada para ampliar sua participação no setor logístico. “João Pessoa é uma capital estratégica dentro do nosso modelo de negócio, com alto nível de consumo e exigência logística. Pensar em novos ativos na cidade, como um segundo ou terceiro galpão, não está longe de ser realidade”, concluiu o executivo da Log.

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