
Excesso de chuvas causa aumento no preço do feijão e pressiona o custo de vida
O valor da cesta básica registrou alta em todas as 27 capitais brasileiras, conforme monitoramento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O feijão, em particular, teve seu preço elevado em todo o país, refletindo as dificuldades na colheita e a redução da oferta.
Alimentos como batata, tomate, carne bovina e leite também apresentaram aumento, com os três primeiros sendo diretamente afetados pelas chuvas nas principais regiões produtoras. Em contrapartida, o açúcar teve queda no custo médio em 19 cidades, devido ao excesso de oferta no mercado.
As cidades com os aumentos mais expressivos na cesta básica foram Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza (5,04%). São Paulo continua com o maior valor apurado, R$ 883,94, enquanto Aracaju tem a cesta mais barata, R$ 598,45.
O Impacto das Chuvas na Produção de Feijão
O aumento no preço do feijão é uma consequência direta do regime de chuvas que prejudicou as safras em diversas regiões. Segundo Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), o clima adverso no Paraná e na Bahia, além de uma área plantada menor, resultou em colheitas reduzidas.
“Quando a gente vê um aumento de preços, tende a pensar que os produtores estão lucrando mais, mas nesses casos menos produtores têm o produto e aí podem estar vendendo por mais, só que o que aconteceu bastante neste ano é que quem plantou, por exemplo, 60 sacas colheu apenas 30 ou 40”, explicou Lüders.
O excesso de chuvas em Mato Grosso do Sul também atrasou a produção, forçando a substituição por um tipo de feijão preto destinado principalmente ao mercado indiano. A restrição de oferta e a expectativa de menor produção na segunda safra contribuem para a alta do grão.
Variações de Preço entre Tipos de Feijão
O estudo aponta que o feijão preto, pesquisado na Região Sul, Rio de Janeiro e Vitória, apresentou alta entre 1,68% em Curitiba e 7,17% em Florianópolis. Já o feijão carioca, coletado nas demais capitais, teve aumentos que variaram de 1,86% em Macapá a 21,48% em Belém.
Atualmente, o feijão carioca pode ser vendido a R$ 350 a saca, com possibilidade de queda a partir de agosto, setembro e outubro, com a colheita da safra irrigada. O feijão preto, que ainda tem um valor em torno de R$ 200 a R$ 210 a saca, pode se tornar mais caro que o carioca em 2026, devido ao plantio reduzido e ao impacto das chuvas.
O Custo da Cesta Básica e o Poder de Compra
Com o salário mínimo atual em R$ 1.621,00, o trabalhador precisa de cerca de 109 horas para custear a cesta básica. Embora esse valor tenha apresentado queda em relação ao ano passado, ainda representa um comprometimento significativo da renda.
Em março, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 97 horas e 55 minutos, enquanto em fevereiro era de 93 horas e 53 minutos. Em comparação com março de 2025, a jornada média foi de 106 horas e 24 minutos.
O Dieese também calcula o valor ideal do salário mínimo, considerando a cesta mais cara em São Paulo. Em março, para uma família de quatro pessoas, o valor ideal seria R$ 7.425,99, o que representa 4,58 vezes o salário mínimo vigente. Em março de 2025, o valor necessário era de R$ 7.398,94.
Perspectivas para o Mercado de Feijão
A estimativa da Conab indica uma produção de feijão superior a 3 milhões de toneladas, um avanço de 0,5% em relação ao ciclo 2024/2025. No entanto, o impacto do aumento dos custos de fertilizantes e combustíveis ainda gera incertezas no setor.
Há uma expectativa de aumento global nos valores de alimentos, o que pode pressionar ainda mais o orçamento das famílias brasileiras. A falta de garantias de preço mínimo para o feijão carioca e a menor demanda externa também são fatores que afetam o mercado.
Lüders alerta que a exportação diminuiu em 2025 e que o estímulo para plantar o feijão carioca é grande, o que representa um risco de queda de preço. A incerteza climática e os custos de produção continuam sendo os principais desafios para os produtores de feijão no Brasil.






