Guerra no Oriente Médio e tensões globais não abalam otimismo: Ipea projeta crescimento de 1,8% do PIB brasileiro em 2024

Mesmo diante de um cenário global marcado por tensões geopolíticas elevadas, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mantém uma perspectiva de crescimento moderado para a economia brasileira. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2024 é de **1,8%**, um indicativo de que o país demonstra capacidade de resiliência diante de instabilidades internacionais.

A previsão do Ipea, divulgada na Carta de Conjuntura n° 70, considera os impactos da guerra iniciada em fevereiro entre Estados Unidos e Irã, que já provocou incertezas e aumento nos preços internacionais do petróleo. No entanto, o instituto aponta que a economia brasileira possui dinâmicas internas que contrabalançam esses efeitos externos.

A resiliência da economia brasileira, segundo o Ipea, está fundamentada em fatores como o **crescimento contínuo da renda disponível das famílias** e a **expansão do crédito** concedido pelo sistema financeiro. Estes elementos têm sido motores importantes para a manutenção da atividade econômica no país.

O consumo das famílias, impulsionado pelo aumento real do salário mínimo, é apontado como um dos principais pilares do crescimento do PIB. Essa dinâmica, aliada à disponibilidade de crédito, fomenta também os investimentos privados, componentes essenciais para o avanço da economia.

Arcabouço fiscal e comércio exterior como impulsionadores

O Ipea destaca que a política econômica brasileira seguirá o novo arcabouço fiscal, que combina a **elevação dos gastos públicos com foco em áreas sociais** e o **aumento das receitas públicas**. Essa estratégia, segundo o instituto, é reforçada pela política de valorização do salário mínimo e pela reindexação de gastos com saúde.

No que diz respeito ao comércio exterior, o instituto prevê benefícios decorrentes de políticas fiscais expansionistas. Investimentos em inteligência artificial e gastos com armamentos, impulsionados pelo conflito no Oriente Médio, podem gerar oportunidades para as exportações brasileiras.

O Ipea relembra que eventos globais de grande impacto, como a guerra na Ucrânia em 2022, não impediram o crescimento do comércio mundial, que avançou 5,8% naquele ano. Essa comparação histórica reforça a ideia de que a economia global, apesar dos choques, busca caminhos para a continuidade.

Projeção de crescimento para o quadriênio

A precisão do Ipea em suas projeções é notável, como demonstrado em 2023, quando o instituto acertou a previsão de crescimento do PIB em 2,3%. Caso a projeção de 1,8% para este ano se concretize, o **somatório do crescimento do PIB entre 2023 e 2026 atingirá 10,7%**, superando os dois quadriênios anteriores.

Este resultado seria cinco pontos percentuais superior ao registrado no quadriênio de 2019-2022 (5,7%) e 0,8 ponto percentual acima do período de 2015-2018 (9,9%). O instituto também estima um crescimento de 2% para o PIB em 2027, mantendo uma perspectiva positiva para o médio prazo.

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