aesa reúne ana, cagepa, ufcg e especialistas em 12 e 13/11, fortalecendo a gestão hídrica na paraíba, segurança de barragens e soluções sustentáveis

Aesa reúne ANA, Cagepa, UFCG e especialistas em 12 e 13/11, fortalecendo a gestão hídrica na Paraíba, segurança de barragens e soluções sustentáveis

Especialistas discutem avanços, inovação e medidas práticas para a gestão hídrica na Paraíba, com foco em saneamento, reúso e monitoramento de barragens

Nos dias 12 e 13 de novembro, em João Pessoa, a Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba, Aesa, promoveu o III Simpósio Paraibano de Recursos Hídricos e o III Simpósio Paraibano de Segurança de Barragens. Os encontros reuniram especialistas, gestores públicos, pesquisadores, técnicos e representantes de instituições estaduais e nacionais para debater o futuro da água no estado, com ênfase na gestão hídrica na Paraíba, na segurança das estruturas de acumulação e em alternativas sustentáveis para o abastecimento.

As atividades tiveram como objetivo reforçar a articulação entre órgãos e apresentar soluções práticas, em um contexto em que a boa governança hídrica é determinante para garantir abastecimento, saneamento e proteção ambiental. A programação foi dividida entre temas de sustentabilidade e políticas de água, e assuntos técnicos relacionados à segurança de barragens, inspeções e monitoramento.

Simpósio de Recursos Hídricos: saneamento, reúso e convivência com a seca

O Simpósio de Recursos Hídricos abriu a programação com debates sobre sustentabilidade, gestão de risco hídrico, política de saneamento básico e fontes alternativas de abastecimento. Foram apresentadas experiências inovadoras e estratégias de convivência com a seca, com foco na aplicação de tecnologias de baixo custo e no fortalecimento das políticas públicas.

O pesquisador Mateus Cunha Mayer apresentou o Sistema de Saneamento Ambiental e Reúso de Água (Sara), uma tecnologia de baixo custo já aplicada em comunidades rurais. A proposta do Sara foi destacada como exemplo de solução prática que alia tratamento e reúso, contribuindo para a resiliência das comunidades frente à escassez.

Representantes de empresas e órgãos estaduais reforçaram a necessidade de investir em saneamento. Na avaliação de Altamar Cardoso, gerente de Novos Negócios e Inovação da Cagepa, “É fundamental discutir saneamento em uma região marcada pela escassez hídrica, onde o abastecimento depende diretamente da boa gestão dos recursos“. Essa visão reforça o papel do saneamento como componente chave da gestão hídrica na Paraíba.

Porfírio Loureiro, presidente da Aesa, ressaltou a importância do diálogo entre instituições e profissionais. “É um evento consolidado e de grande importância para o setor, com ampla participação do público e dos entes do sistema de recursos hídricos. Além de apresentar avanços e identificar desafios, o momento fortalece o diálogo e a troca de experiências, essenciais para aprimorar a gestão da água na Paraíba”, afirmou.

Segurança de barragens: inspeção, diagnóstico e priorização de riscos

No segundo dia, o foco foi a prevenção de riscos e o aprimoramento das inspeções, com apresentação do Relatório Estadual de Segurança de Barragens, que consolida ações de monitoramento e diagnóstico das estruturas acompanhadas na Paraíba. A Aesa destacou a rotina de visitas a todas as barragens do estado, realizadas conforme as diretrizes do Plano Nacional de Segurança de Barragens, PNSB.

A subgerente de Segurança de Barragens, Nicolly Azevedo, detalhou os procedimentos de inspeção, enquanto representantes da ANA reforçaram a necessidade de integração entre órgãos. Nazareno Araújo, superintendente de Planos, Programas e Projetos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, afirmou que “É essencial que todos os entes do sistema atuem de forma articulada, promovendo ações conjuntas que fortaleçam a gestão e as medidas de adaptação no estado“. A fala ressalta a importância da cooperação para a melhoria da gestão hídrica na Paraíba e da segurança das obras hidráulicas.

O gerente de Operações de Mananciais e Segurança de Barragens da Aesa, João Pedro Chaves, explicou a relevância da classificação do Dano Potencial Associado, DPA. “O DPA é um instrumento essencial de prevenção, permitindo priorizar ações e reduzir perdas humanas, ambientais e econômicas“, explicou, lembrando que essa classificação orienta a tomada de decisões para mitigar impactos.

Bruno Rebouças, superintendente de Regulação de Serviços e Segurança de Barragens da ANA, enfatizou: “Conhecer o risco é importante para poder se prevenir dele e proteger vidas, o patrimônio e o meio ambiente“. A declaração sintetiza a necessidade de combinar conhecimento técnico e monitoramento contínuo para reduzir vulnerabilidades.

Soluções para o semiárido e inovação tecnológica

Além das discussões sobre fiscalização e diagnóstico, o evento também destacou iniciativas voltadas ao desenvolvimento rural sustentável. Vicente de Paulo Albuquerque apresentou o Programa de Estudos e Ações para o Semiárido, Peasa, que estimula a economia produtiva sustentável em comunidades rurais.

Foram demonstradas tecnologias como biodigestores, apresentadas por Daniel Casimiro, técnico da Universidade Federal de Campina Grande, que apontou o equipamento como solução para a contenção da poluição difusa, ao mesmo tempo em que gera gás e adubo, trazendo benefícios ambientais e econômicos às comunidades.

Essas alternativas compõem um leque de ações que contribuem para a gestão hídrica na Paraíba ao reduzir a pressão sobre mananciais, ampliar o reúso e promover práticas sustentáveis no semiárido.

Integração institucional e próximos passos

Ao encerrar os simpósios, o diretor de Gestão e Apoio Estratégico da Aesa, Waldemir Azevedo, reforçou o papel da cooperação técnica. “A integração e o engajamento durante as atividades são fundamentais para gerir os recursos hídricos de forma eficiente e sustentável“, finalizou. A mensagem final aponta para um caminho de continuidade nas ações, com fortalecimento do monitoramento, capacitação técnica e disseminação de soluções de baixo custo.

Os eventos realizados pela Aesa em João Pessoa evidenciam que a combinação entre políticas públicas, inovação tecnológica e cooperação entre instituições é central para garantir a segurança das barragens e a sustentabilidade do abastecimento. Em um cenário marcado por variabilidade climática, as iniciativas apresentadas reforçam a necessidade de priorizar a gestão hídrica na Paraíba como estratégia para proteger vidas, patrimônio e o meio ambiente.

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