
Oficina do Ministério da Saúde, em parceria com SES e Cosems-PB, qualifica médicos e enfermeiros para a inserção e manejo do implante contraceptivo destinado a mulheres de 14 a 49 anos
Foi realizada, em João Pessoa, a Oficina de Qualificação para Implementação do Implante Contraceptivo, promovida pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba, e o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde da Paraíba, Cosems-PB.
O objetivo principal da capacitação foi preparar médicos e enfermeiros para a inserção e manejo clínico do implante subdérmico de etonogestrel, incorporado recentemente ao Sistema Único de Saúde. O dispositivo é destinado a mulheres de 14 a 49 anos, tem alta eficácia e pode durar até três anos, oferecendo uma alternativa contraceptiva de longa duração, reversível, e segura.
Quem participou e critérios de seleção
Na primeira etapa da iniciativa, foram contemplados municípios com mais de 50 mil habitantes e com maior número de partos realizados, conforme os critérios definidos pelo Ministério da Saúde. Participaram profissionais dos municípios de Sapé, Santa Rita, Bayeux, Sousa, Guarabira, Patos, Cabedelo, Cajazeiras, Campina Grande, João Pessoa e Queimadas.
Segundo a programação, outras cidades deverão se tornar elegíveis seguindo o cronograma nacional do Governo Federal, o que amplia a expectativa de descentralização da oferta do implante contraceptivo no estado.
Treinamento prático e materiais para multiplicação
Durante o evento, a equipe do Ministério da Saúde entregou simbolicamente dois kits simuladores para o implante de etonogestrel subdérmico à SES e ao Cosems-PB. O material será utilizado na multiplicação da oficina por todo o estado.
Além das apresentações teóricas sobre indicações, contraindicações, efeitos colaterais e aspectos éticos do método, houve uma aula prática na qual os participantes treinaram a inserção e a remoção do implante, reforçando a importância da qualificação da Atenção Primária à Saúde para garantir um atendimento seguro e orientado.
Direitos reprodutivos, redução de gestações não planejadas e impacto local
O implante contraceptivo de etonogestrel representa uma estratégia para ampliar o rol de métodos de longa duração disponíveis pelo SUS, fortalecendo os direitos sexuais e reprodutivos e ações de planejamento familiar. A medida é citada como um instrumento para enfrentar, de forma concreta, as gestações indesejadas, especialmente entre adolescentes.
Sobre o significado da iniciativa, o secretário-executivo de Gestão de Rede de Unidades de Saúde da SES, Patrick Almeida, declarou, “Hoje estamos trazendo dignidade para as pessoas, sobretudo para as populações mais vulnerabilizadas. É uma estratégia concreta para enfrentar as gravidezes indesejadas, especialmente na adolescência, que ainda são altamente prevalentes em nosso estado. Essa qualificação representa o compromisso do SUS em garantir acesso, equidade e autonomia reprodutiva às mulheres paraibanas“, destacou.
A diretora de Gestão do Cuidado Integral do Ministério da Saúde, Olívia Lucena de Medeiros, ressaltou a articulação entre as três esferas de governo, afirmando, “É exatamente isso que nossas mulheres e meninas precisam: um olhar integral que dialoga com a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres, com a Lei do Planejamento Familiar e com a Atenção Primária à Saúde. Essa oficina abre uma janela de oportunidade — há muito tempo não conseguíamos colocar o debate da saúde sexual e reprodutiva no centro das instituições públicas de saúde“, afirmou.
Descentralização e próximos passos
A qualificação de profissionais da Atenção Primária é apontada como essencial para a descentralização da oferta do implante contraceptivo, garantindo que mulheres em todo o território estadual tenham acesso seguro ao dispositivo. Com a previsão de ampliação para mais municípios, a expectativa é de que a disponibilidade do implante contribua para a redução das gestações não planejadas e para o fortalecimento das políticas de saúde sexual e reprodutiva no SUS.
O implante subdérmico de etonogestrel reafirma o compromisso do sistema público de saúde com o acesso, a equidade e a autonomia reprodutiva, sobretudo para populações em situação de vulnerabilidade. A continuidade do cronograma de capacitações e a distribuição de materiais de treinamento serão determinantes para que o método esteja acessível de forma segura, informada e humanizada em mais cidades da Paraíba.





