
Secult-PB promove cortejo e audiência pública pelo forró de raiz no Theatro Santa Roza, reunindo artistas, IPHAN e lideranças culturais em busca do reconhecimento internacional
O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-PB), organiza uma mobilização em defesa do forró de raiz que acontece na próxima segunda-feira (17), a partir das 14h, no Theatro Santa Roza, no Centro de João Pessoa. A ação inclui um cortejo até o teatro e uma audiência pública para reforçar a proposta de submissão do forró de raiz ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com vistas a uma candidatura junto à UNESCO.
O ato, os participantes e a formalização do pedido
A formalização oficial da entrega do pedido ao IPHAN será feita em sessão especial da Assembleia Legislativa da Paraíba, por propositura do deputado estadual Chió. Entre os nomes já confirmados estão o diretor de Patrimônio Imaterial do IPHAN, Deyvesson Gusmão, representando o presidente Leandro Grass, e o superintendente do IPHAN na Paraíba, Emanuel Braga.
Também participam lideranças da cena do forró, como a presidente da Associação Cultural Balaio Nordeste, Joana Alves, o presidente da Associação dos Forrozeiros da Paraíba (ASFORRÓ-PB), Alexandre Pé de Serra, além de secretários de Cultura e Turismo de municípios como Monteiro. A mobilização pretende dar visibilidade política e social ao pleito, mostrando unidade entre poder público, movimentos culturais e a comunidade forrozeira.
Cortejo e presença de artistas
A concentração para saída do cortejo será no Teatro Cilaio Ribeiro, na Avenida General Osório, no Centro de João Pessoa. Caravanas com mais de 80 pessoas vindas de Santa Luzia, Junco do Seridó, Campina Grande, Monteiro, Sumé e Cuité foram anunciadas para prestigiar o ato. Estão confirmadas presenças de artistas paraibanos como Luizinho Calixto, Mestre Cordeiro do Acordeon, Ananias do Acordeon, Alfranque Amaral, Mestre Josélio, Nanado Alves, Ilmar Cavalcante, Luíz Bento, Bibiu de Jatobá e Mestre Lulinha do Acordeon, além da artista Deusa Nordestina do Forró, do Rio Grande do Norte.
Para os organizadores, o cortejo e a audiência pública não são apenas uma festa, eles fazem parte de uma estratégia de mobilização para fortalecer a candidatura do forró de raiz como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Declarações oficiais e apoio internacional
O secretário de Estado da Cultura, Pedro Santos, ressaltou a dimensão internacional das ações que vêm sendo realizadas. Em suas palavras, “Fizemos uma provocação muito justa e legítima às instituições sobre a cultura nordestina que gira em torno do forró pé de serra, com reuniões na Unesco, realização do fórum do forró em Porto/Portugal em maio de 2024 e do festival do forró em Lille/França em setembro deste ano. Então foram ações que ganharam a atenção que necessitava para engrossar o escopo pelo reconhecimento e valorização do nosso forró tradição e agora este é mais um ato que vem para somar nessa luta”, afirmou Pedro Santos.
O pedido junto ao IPHAN já conta com respaldo amplo: “O pedido junto ao Iphan já conta com o apoio de outros 14 estados brasileiros e de ao menos 30 outros países além do Brasil”, conforme informado pela Secult-PB. Esse apoio é tratado como diferencial estratégico para orientar a candidatura brasileira quando o processo avançar até a UNESCO.
Bira Delgado, gerente de Música da Secult-PB, explicou o objetivo do ato, lembrando a importância de articular sociedade civil e instituições. Segundo ele, “o ato de mobilização pretende ser mais um momento de provocação à sociedade civil (forrozeiras/os), órgãos oficiais (Governo da Paraíba, Secult-PB, ALPB) e o Iphan e Ministério da Cultura/Governo Federal que é a instituição que pode apresentar oficialmente a candidatura à Unesco. Nesse sentido é importante que cada estado do Nordeste, os líderes de suas regionais também promovam atos como esse para unir forças bem alicerçadas fundamentando a ideia para juntos conseguirmos tornar o nosso forró tradicional patrimônio da humanidade”, ressaltou Bira Delgado.
Trajetória da candidatura e próximos passos
A política de articulação para a candidatura do forró de raiz tem recorrido a diversas frentes. Segundo a Secult-PB, as iniciativas começaram em 2024 com encontro em Paris, junto à delegada permanente do Brasil junto à UNESCO, Paula Alves de Souza, e com representantes da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial.
Em seguida, houve troca de experiências e debates internacionais, como o 1º Fórum Internacional do Forró de Raiz, realizado em Porto, Portugal, entre 1 e 2 de junho, com a participação de artistas, oficinas e feiras gastronômicas. A agenda incluiu ainda um festival em Lille, no norte da França, que reuniu artistas nordestinos, gestores culturais e secretarias de cultura da região, e onde foi assinado um Protocolo de Intenções por representantes dos nove estados do Nordeste junto ao IPHAN.
Do ponto de vista técnico, uma vez inscrito no Livro de Registro do Patrimônio Imaterial do IPHAN, o processo exige a criação de uma estratégia de salvaguarda, com ações planejadas para garantir a transmissão e a continuidade do bem cultural. Só depois dessa etapa, conforme as regras, o Brasil, por meio do IPHAN e do Ministério da Cultura, pode apresentar a candidatura oficial à UNESCO.
O reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO tem caráter simbólico e prático. Conforme explica a própria organização, “O título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, concedido pela UNESCO, reconhece práticas, expressões, saberes e técnicas que comunidades e grupos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural”. Esse tipo de registro ajuda a promover salvaguardas que protejam tradições frente aos desafios da globalização, além de valorizar identidades locais.
Com a mobilização em João Pessoa, a Secult-PB busca consolidar apoio interno e externo, demonstrando que o forró de raiz reúne, além do valor artístico, um amplo respaldo social e institucional. Organizações culturais, municípios, artistas e comunidades se reúnem para transformar essa mobilização em um passo concreto rumo ao reconhecimento internacional.
O evento deve reunir público diverso e representar um momento de visibilidade para a cultura nordestina, ao mesmo tempo em que reafirma a necessidade de preservar e transmitir o legado do forró de raiz às próximas gerações.





