
Na Green Zone, debate sobre Cuidado, Gênero e Justiça Climática reuniu secretarias da Paraíba, ONU-Habitat e Global HER para discutir transição justa
O tema Cuidado, Gênero e Justiça Climática teve destaque na agenda da COP30, nesta sexta-feira, com um painel realizado na Green Zone, no Espaço do Consórcio Nordeste. Organizado pelo Consórcio Nordeste em parceria com o Governo da Paraíba, por meio da Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana, e da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, o evento reuniu lideranças nacionais e internacionais para discutir o cuidado como eixo central das respostas à crise climática.
Participação da Paraíba e aliados
Representando o Governo da Paraíba, estiveram presentes as secretárias Lídia Moura, da Mulher e Diversidade Humana, e Rafaela Camaraense, da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade. A iniciativa contou ainda com o apoio da Global HER e do ONU-Habitat, e reuniu nomes como Lea Ranalder, especialista do ONU-Habitat, Maria Marighella, presidenta da Funarte, e lideranças regionais como Thamyris Elpídio, Lourivânia Soares, Iaraci Dias e Amanda Teles Marques.
Mensagens centrais do painel
No debate, a secretária Lídia Moura, coordenadora da Câmara Temática de Mulheres do Consórcio Nordeste, ressaltou a importância do cuidado como uma categoria política para a justiça climática. Ela afirmou, de forma enfática, que: “Quando as mulheres cuidam da água, da terra e das comunidades, elas fazem política climática. O Nordeste mostra ao mundo que cuidado é estratégia, tecnologia social e ferramenta de transformação. Justiça climática só será possível com justiça de gênero.”
A secretária Rafaela Camaraense apresentou experiências da Paraíba em transição energética, restauração ambiental e adaptação no Semiárido, consolidando o estado como referência nacional em ações climáticas. Essas iniciativas foram apresentadas como exemplos práticos de como integrar cuidado e políticas ambientais para promover uma transição justa.
Posição do governo federal e abordagens complementares
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou do debate e reafirmou o compromisso do Governo Federal em incorporar equidade de gênero e cuidado nas políticas climáticas. A ministra disse: “O cuidado precisa ser reconhecido como infraestrutura essencial da vida. Sem políticas que apoiem quem cuida — sobretudo mulheres negras, indígenas e periféricas — não haverá transição justa, não haverá justiça climática. O que estamos construindo aqui é um pacto global que começa pelos territórios”.
Também foram discutidas soluções urbanas para adaptação e resiliência, apresentadas por Lea Ranalder do ONU-Habitat, e a dimensão cultural do enfrentamento climático, defendida por Maria Marighella, que ressaltou o papel da arte e da cultura como ferramentas de mobilização social. A presença de vozes indígenas, como a de Amanda Teles Marques, trouxe a perspectiva dos povos originários sobre proteção de territórios e direitos baseados na relação com a natureza.
Impacto e próximos passos para o pacto regional
O painel reafirmou a visão de que o cuidado é uma estratégia transversal para enfrentar a crise climática, pois articula justiça social, proteção de territórios, igualdade de gênero e modelos de desenvolvimento sustentável. A proposta é que pactos regionais, como os debatidos pelo Consórcio Nordeste, impulsionem políticas públicas que reconheçam o cuidado como infraestrutura e garantam suporte a quem executa essas tarefas, com ênfase em mulheres negras, indígenas e periféricas.
Ao final, o consenso entre os participantes foi de que transformar o cuidado em política pública é condição para uma transição energética e ambiental verdadeiramente justa. A experiência da Paraíba foi destacada como referência nacional, e os debates na Green Zone devem alimentar encaminhamentos práticos para integrar Cuidado, Gênero e Justiça Climática em agendas estaduais e federais.
O painel demonstra que, além de metas técnicas e financeiras, a resposta à emergência climática precisa reconhecer e fortalecer as capacidades humanas e comunitárias de cuidado, para que a adaptação e a mitigação também promovam justiça social e de gênero.





