analfabetismo de idosos negros cai 14 p.p. em 11 anos, mas diferença persiste

Analfabetismo de Idosos Negros Cai 14 p.p. em 11 Anos, Mas Diferença Persiste

Redução expressiva no analfabetismo de idosos negros, mas abismo de oportunidades ainda é realidade

Uma análise recente do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (Cedra), baseada em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) entre 2012 e 2023, revela um avanço importante na redução do analfabetismo entre pessoas idosas negras (60 anos ou mais). No entanto, os números também evidenciam que a **desigualdade educacional** entre negros e brancos, mesmo nessa faixa etária, ainda é um desafio considerável no Brasil.

O cenário de 2012 e a evolução até 2023

Em 2012, a taxa de analfabetismo entre idosos negros era de 36,0%, enquanto entre idosos brancos o índice era de 15,4%. Doze anos depois, em 2023, os dados mostram uma melhora: o analfabetismo entre idosos negros caiu para 22,1%, e entre os brancos, para 8,7%. Essa redução representa uma diminuição de 13,9 pontos percentuais (p.p.) para os idosos negros e de 6,7 p.p. para os brancos no período.

Apesar da melhora significativa, a **diferença absoluta** entre as taxas de analfabetismo de idosos negros e brancos se manteve expressiva, passando de 20,6 p.p. em 2012 para 13,4 p.p. em 2023. Isso demonstra que, embora ambos os grupos tenham avançado, o ponto de partida e a velocidade de progressão ainda refletem desigualdades históricas.

A necessidade de políticas voltadas para a população idosa

Marcelo Tragtenberg, membro do conselho deliberativo do Cedra, destaca que o analfabetismo entre pessoas negras idosas é um fator que impacta profundamente suas vidas. Ele aponta que a melhora observada pode ser resultado de fatores geracionais, como um aumento na escolaridade dos idosos mais jovens, ou do processo de urbanização. Tragtenberg ressalta a importância de ações direcionadas para essa população.

“Para isso, seria importante uma busca ativa para matrículas em Educação de Jovens e Adultos (EJA) e até uma política de incentivos, como o programa Pé de Meia, mas voltada para a população mais velha que não chegou aos níveis básicos de escolaridade”, afirmou Tragtenberg. Essa sugestão visa criar mecanismos que incentivem e facilitem o acesso à educação para idosos que nunca tiveram a oportunidade de concluir o ensino básico.

Jovens negros e brancos: uma trajetória de sucesso na redução do analfabetismo

Ao analisar a população jovem, a pesquisa do Cedra revela um cenário ainda mais positivo. Em 2012, a taxa de analfabetismo entre jovens negros era de 2,4%, e entre jovens brancos, de 1,1%. Em 2023, esses índices caíram para 0,9% para jovens negros e 0,6% para jovens brancos.

A diferença entre os grupos, que era de 1,3 p.p. em 2012, reduziu para apenas 0,3 p.p. em 2023, indicando uma melhora mais expressiva entre os jovens negros. Essa trajetória demonstra o impacto de políticas educacionais mais amplas e o acesso facilitado à educação nas últimas décadas, especialmente para as gerações mais novas.

Adultos e mulheres: a persistência da desigualdade racial

A análise também abrangeu outras faixas etárias e gênero, mostrando que a desigualdade racial na educação, embora em queda, ainda é presente. Na faixa de 30 a 39 anos, a taxa de analfabetismo de pessoas negras caiu de 7,0% em 2012 para 2,2% em 2023. Já entre pessoas brancas, a taxa foi de 2,5% para 1,1% no mesmo período. É notável que, em 2023, a situação dos negros nessa faixa etária se assemelha à dos brancos em 2012.

Entre as mulheres com mais de 15 anos, o analfabetismo de mulheres negras era de 10,8% em 2012 e caiu para 6,6% em 2023. Para mulheres brancas, os índices foram de 5,1% para 3,3%. A diferença entre elas, que era de 5,7 p.p., reduziu para 3,3 p.p., mas ainda se mantém expressiva.

No caso dos homens com mais de 15 anos, o analfabetismo entre homens negros era de 11,5% em 2012 e diminuiu para 7,4% em 2023. Entre homens brancos, os números foram de 4,8% para 3,4%. A diferença entre os grupos, que era de 6,7 p.p., caiu para 4,0 p.p., mas continua sendo significativa.

Os dados reforçam a necessidade de um olhar atento às especificidades de cada grupo e a continuidade de políticas que visem a **equidade educacional** em todas as faixas etárias e raças no Brasil.

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