cpi dos combustíveis detecta padrão de precificação em joão pessoa, relatório sai em dezembro

CPI dos Combustíveis detecta padrão de precificação em João Pessoa, relatório sai em dezembro

Relator aponta indícios de padrão de precificação, conteúdo será encaminhado ao Ministério Público e à Polícia Civil

A CPI dos Combustíveis, instalada na Câmara Municipal de João Pessoa para investigar a possível existência de cartel na atividade dos postos de gasolina, deve apresentar seu relatório final em dezembro. O relator, vereador Tarcísio Jardim, afirma ter elementos que indicam um esquema de definição conjunta de preços, descrito por ele como um padrão de precificação entre empresas da capital.

O que a CPI encontrou

Segundo o relator, “O preço é colocado do jeito que eles querem. Se o concorrente aumenta, eles aumentam. Se baixa, eles baixam. Já foi detectado que eles tem um padrão de precificação“, declarou Tarcísio, em conversa com o blog. Essas conclusões, de acordo com o vereador, vêm das declarações dos próprios donos de postos e de representantes de entidades que prestaram depoimento na Câmara.

O conjunto de depoimentos e documentos levantados pela investigação levou os vereadores a considerar que há um comportamento coordenado, em que a resposta de um estabelecimento aos movimentos de preço do concorrente é seguida pelos demais. Em linhas práticas, a CPI descreve um mecanismo em que a formação de preço deixa de ser puramente competitiva e passa a ter sinais de uniformidade entre os agentes do mercado.

Encaminhamentos e consequências

“Todo o conteúdo será encaminhado para o Ministério Público e para a Polícia Civil da Paraíba a fim de que estes órgãos analisem como classificam este comportamento”, informou a CPI. Na visão do relator, “a vinculação de preços já está configurada”, o que pode configurar infração à legislação concorrencial, dependendo da análise técnica e jurídica dos órgãos responsáveis.

Além do envio dos documentos aos órgãos de controle, a CPI já teria gerado efeitos práticos na cidade. Para Tarcísio, “além disso, a CPI já conseguiu, antes mesmo de sua conclusão, dois benefícios. Evitar a oscilação de preços para cima durante todo o período de seu funcionamento e estimular ainda mais as fiscalizações por partes do Procons”. Essas ações podem influenciar a fiscalização e a apuração de práticas anticompetitivas no setor.

Como a investigação avança

O relator prometeu antecipar a conclusão do relatório para dezembro, embora a CPI tenha prazo para funcionar até janeiro. “Ele promete antecipar a conclusão do relatório agora para dezembro, apesar da CPI poder funcionar até janeiro”, disse ele. Com isso, o material será compilado e remetido aos órgãos que farão perícia e enquadramento legal, caso identifiquem indícios suficientes.

A Câmara também está criando um mecanismo permanente de acompanhamento da questão dos combustíveis. “A Câmara, no entanto, está criando um observatório permanente sobre a questão dos combustíveis, fruto de propositura da vereadora Jailma (PSB)”, o que deve garantir monitoramento contínuo dos preços e das práticas comerciais na capital.

O que muda para o consumidor

Se a existência de um padrão de precificação for confirmada pelos órgãos de investigação, pode haver desdobramentos que beneficiem o consumidor, como multas, sanções administrativas e mudanças na fiscalização. Enquanto isso, a própria existência da CPI e a expectativa de investigação parecem ter contribuído para reduzir movimentos indiscriminados de alta de preços em João Pessoa durante o período das apurações.

O próximo passo é a análise técnica do material pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, que decidirão se há elementos para abertura de inquérito ou ação civil pública. Até lá, a Câmara seguirá com o trabalho de registro e acompanhamento, por meio do observatório criado para monitorar futuras variações e práticas no setor.

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