
Em Ingá/PB, comunidade se despede de cabeleireira vítima de feminicídio
Na manhã deste domingo, 7 de maio, o município de Ingá, na Paraíba, foi palco de um cortejo fúnebre e sepultamento emocionantes para Élida Nascimento, cabeleireira brutalmente assassinada. A vítima foi morta pelo policial militar Luiz Miguel, que foi preso em flagrante no sábado, 6 de maio, em Massaranduba/PB, acusado de feminicídio.
O relato do acusado e a dinâmica do crime
Segundo o depoimento do policial, ele e Élida estavam juntos há cerca de quatro meses, embora o relacionamento já se estendesse por um ano. A delegada Renata Dias informou que, durante o interrogatório, Luiz Miguel relatou que o trágico episódio ocorreu após uma discussão acalorada no trajeto de volta de um bar em Campina Grande. Ele alegou que, no caminho, a vítima teria iniciado agressões verbais e físicas, além de ameaçar saltar do veículo em movimento.
Em um suposto momento de “surto”, conforme relatado por ele, o policial sacou sua arma particular e efetuou disparos contra Élida, sem se recordar a quantidade exata de tiros. Ao perceber a gravidade da situação, o acusado afirmou ter acionado o serviço de emergência (190) e o SAMU, declarando que sua intenção jamais seria tirar a vida da companheira. Ele também solicitou que seu celular fosse periciado para comprovar o contexto do relacionamento.
Histórico do policial e alegações sobre o relacionamento
Luiz Miguel, que atua há sete anos na corporação militar, também mencionou em seu depoimento que não possuía filhos com Élida. Sobre as lesões em seu corpo, ele atribuiu as agressões à própria vítima, alegando que elas ocorreram durante as brigas entre o casal. O policial negou veementemente ter agredido Élida fisicamente em qualquer ocasião e descreveu seu próprio ciúme como “normal”, enquanto considerava o ciúme dela como “excessivo”.
A dor da perda e a busca por justiça
O sepultamento de Élida Nascimento reuniu familiares, amigos e membros da comunidade de Ingá, que expressaram sua profunda tristeza e indignação diante do ocorrido. A morte da cabeleireira, vítima de mais um caso de feminicídio, chocou a região e levanta novamente o debate sobre a violência contra a mulher e a necessidade de medidas mais eficazes para prevenir e combater crimes passionais e a agressão doméstica.
O caso segue em investigação pelas autoridades policiais, e a comunidade espera que a justiça seja feita para Élida Nascimento, e que a memória da jovem cabeleireira seja honrada com a responsabilização do agressor.



