
Bolsonaro deve receber alta hospitalar nesta quinta-feira (1º) e retornar à Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, onde cumpre pena. A decisão depende da evolução clínica do ex-presidente, que está internado desde a véspera de Natal para a realização de procedimentos cirúrgicos.
Os médicos que acompanham Jair Bolsonaro confirmaram que a alta está programada para a manhã desta quinta-feira, caso não surjam novos problemas de saúde. “A princípio, a alta já está programada, salvo alguma intercorrência”, afirmou o cardiologista Brasil Caiado, do Hospital DF Star, em entrevista a jornalistas na tarde de quarta-feira (31).
Cirurgias e tratamentos para crises de soluços
Jair Bolsonaro foi internado no hospital particular no dia 24 de dezembro e, no dia seguinte, passou por uma cirurgia de hérnia inguinal. A autorização para que o ex-presidente deixasse a Superintendência da PF para os procedimentos foi concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além da cirurgia de hérnia, Bolsonaro também se submeteu a, pelo menos, três cirurgias de bloqueio do nervo frênico. O objetivo era tentar conter uma crise persistente de soluços que o acomete há meses. O nervo frênico é responsável pelo controle do diafragma, músculo essencial para a respiração.
“A gente notou que o bloqueio do diafragma dos dois lados diminuiu a intensidade dos soluços, mas não cessou a crise de soluços. Isso mostra que o estímulo não é do pescoço para baixo, mas é do pescoço para cima. É provavelmente um estímulo de origem no sistema nervoso central, que não adianta você fazer um bloqueio definitivo do nervo”, explicou o cirurgião Claudio Birolini.
Segundo o especialista, o tratamento para os soluços continuará com medicação e terapias alternativas. As crises de soluços, de acordo com a equipe médica, são o que mais agravam o estado psicológico de Bolsonaro. “A gente percebe uma piora considerável nos momentos de soluços prolongados. A diferença no estado emocional, físico, ele fica bem abatido nas noites ou nos dias que ele passa com soluços. É o pior estágio. Ele já chegou aqui em um estado emocional mais deprimido, mas oscila muito”, avaliou Caiado.
Uso de antidepressivos e autocuidado na prisão
A equipe médica também revelou que o ex-presidente está em tratamento com medicamentos antidepressivos. “O próprio presidente pediu para fazer uso de algum medicamento antidepressivo, então, foi introduzido e a gente espera que esse tratamento passe a fazer algum efeito em alguns dias”, informou Birolini.
Após a alta, o autocuidado de Bolsonaro ficará a cargo dele mesmo na cela da PF, embora os médicos possam visitá-lo sempre que necessário. “Ele [Bolsonaro] está mais disciplinado, entendeu a importância de colaborar em relação à alimentação, a não deitar depois de comer, que é um ponto que gera muito refluxo, comendo de forma mais adequada, mais fracionada. Toda a nossa recomendação, ele está muito disciplinado e seguindo sempre”, disse Brasil Caiado.
A cela onde Bolsonaro cumpre pena na PF tem cerca de 12 metros quadrados e foi reformada recentemente. O espaço conta com cama de solteiro, armários, mesa de apoio, televisão, frigobar, ar condicionado e banheiro privativo.
Outros problemas de saúde e adaptação ao CPAP
Em um boletim médico divulgado nesta quarta-feira, o Hospital DF Star informou que Bolsonaro apresentou melhora na crise de soluços e realizou uma endoscopia digestiva alta. O exame evidenciou a persistência de esofagite e gastrite.
Outro problema de saúde enfrentado pelo ex-presidente é a apneia obstrutiva do sono. Para tratar a condição, Bolsonaro passou a usar um aparelho CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas). O dispositivo fornece um fluxo constante de ar através de uma máscara, mantendo as vias aéreas abertas e impedindo paradas respiratórias e ronco.
“Já é a segunda noite que ele usa a máscara, o CEPAP, ele se adaptou bem, disse que dormiu melhor e está sim indicado o uso contínuo enquanto ele tiver na carceragem. Inclusive, ele vai sair daqui com o aparelho”, informou Claudio Birolini.

