2026: oito eleições cruciais que vão moldar o futuro político global

2026: Oito Eleições Cruciais que Vão Moldar o Futuro Político Global

O ano de 2026 se anuncia como um divisor de águas na política mundial, com uma série de eleições que prometem redefinir o cenário geopolítico. De democracias consolidadas a nações em transição, o eleitorado de oito países terá a palavra final sobre o futuro de seus governos e, em muitos casos, sobre a longevidade de líderes que marcaram as últimas décadas.

Alemanha: A ascensão da ultradireita em foco

A Alemanha se prepara para um ciclo eleitoral estadual em 2026, com cinco pleitos programados entre março e setembro. Enquanto algumas regiões ainda mostram força para os partidos tradicionais, estados como Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Saxônia-Anhalt apresentam um cenário promissor para a Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de ultradireita com forte discurso anti-imigração. Pesquisas indicam que a AfD pode alcançar entre 35% e 40% das intenções de voto nesses estados, o que pode levá-la a conquistar seus primeiros governos estaduais no pós-guerra, desafiando a formação de coalizões que historicamente a mantiveram afastada do poder.

Bangladesh: Recomeço após turbulência política

Em fevereiro, Bangladesh, o oitavo país mais populoso do mundo, elegerá seu primeiro governo democraticamente constituído desde a revolução da geração Z em julho de 2024, que depôs a premiê Sheikh Hasina após 15 anos de governo. A transição tem sido liderada interinamente pelo economista Muhammad Yunus, laureado com o Nobel da Paz. Contudo, a tensão política persiste, evidenciada pelo assassinato de um líder estudantil em dezembro, que gerou novos protestos. Além da escolha do novo governo, os cidadãos votarão em um referendo para uma nova Constituição. Tarique Rahman, de uma proeminente família política, surge como um dos favoritos, enquanto o partido de Hasina foi impedido de participar da disputa.

Hungria: Orbán sob pressão

Viktor Orbán, no poder desde 2010 e figura de destaque na ultradireita global, enfrenta em abril a que pode ser a ameaça mais séria à sua longevidade política. Com uma economia em declínio e um governo marcado por escândalos, a oposição tem ganhado terreno. A legenda Tisza, liderada por Péter Magyar, ex-aliado de Orbán, tem diminuído a diferença nas pesquisas para a escolha do próximo parlamento. A votação na Hungria, um país de 9,5 milhões de habitantes, é observada de perto por Washington, Moscou e Bruxelas, com uma eventual derrota de Orbán sendo vista com alívio pela União Europeia.

Peru: Instabilidade política busca um novo rumo

Em 12 de abril de 2026, os peruanos irão às urnas para eleger um novo presidente, renovar a Câmara Federal e, pela primeira vez em 30 anos, um Senado recém-criado. O Peru tem vivido uma década de intensa instabilidade política, com oito presidentes e nenhum concluindo o mandato. A eleição de 2021 levou o populista Pedro Castillo ao poder, mas ele foi destituído em 2022. Sua sucessora, Dina Boluarte, enfrentou índices de aprovação baixíssimos e foi removida do cargo em outubro. Com mais de 30 candidatos esperados para a disputa presidencial, a fragmentação política é evidente, com Rafael Lopez Aliaga liderando as pesquisas com apenas 13% das intenções.

Colômbia: Tensão com os EUA no radar

A Colômbia também irá às urnas em 31 de maio para escolher seu novo presidente e Congresso, em um cenário marcado por tensões externas. O atual presidente, Gustavo Petro, não pode concorrer à reeleição, e o senador Iván Cepeda é o candidato indicado por seu bloco de esquerda. O país teme uma ressurgência da violência política, com o assassinato do senador Miguel Uribe Turbay em junho sendo um exemplo. As relações com os Estados Unidos, especialmente sob a presidência de Donald Trump, são um ponto focal, com Petro sendo alvo de hostilidade. Uma pesquisa indicou que 81% dos colombianos acreditam na necessidade de boas relações com os EUA, o que pode influenciar o pleito. Trump também é citado como potencial interferidor, assim como ocorreu em eleições na Argentina e Honduras em 2025.

Brasil: Lula busca um novo mandato e a extrema-direita se reorganiza

Em 4 de dezembro, o Brasil realizará eleições presidenciais que testarão a força de Luiz Inácio Lula da Silva, que aos 80 anos, busca seu quarto mandato. Apesar de sua aprovação estar distante dos picos de sua gestão anterior, Lula aparece como o candidato mais bem posicionado. No campo da direita, a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro, declarado inelegível e preso, gera indefinição. O senador Flávio Bolsonaro apresentou pré-candidatura, mas nomes como os governadores Tarcísio de Freitas e Ratinho Jr. também são cogitados, evidenciando a falta de um nome que aglutine todo o espectro conservador.

Israel: O futuro de Netanyahu em jogo

Até o fim de outubro, Israel elegerá um novo Parlamento, decisão que definirá o futuro político de Benjamin Netanyahu, o chefe de governo mais longevo do país. Será a primeira eleição desde os protestos contra a reforma do Judiciário em 2023 e o início da guerra em Gaza. Apesar dos sucessos militares contra grupos como Hamas e Hezbollah, a reação em Gaza transformou Israel em um pária internacional. A campanha deve reavivar questionamentos sobre falhas de inteligência pré-ofensiva do Hamas. Netanyahu, que pretende concorrer novamente, busca não apenas a sobrevivência política, mas também se blindar contra acusações de corrupção. Embora com alta reprovação, ele e seu partido, o Likud, aparecem à frente nas pesquisas, em parte devido à fragmentação política e à dificuldade histórica de seus rivais em formar coalizões.

EUA: As “midterms” e o governo Trump

Em 3 de novembro, os Estados Unidos realizarão as eleições de meio de mandato, as chamadas “midterms”, que podem definir o restante do governo de Donald Trump e o futuro da oposição democrata. Estarão em disputa todos os assentos da Câmara dos Representantes e mais de 30 do Senado, o que significa que o controle do Congresso estará em jogo. Historicamente, as “midterms” funcionam como um termômetro da aprovação presidencial, e derrotas significativas para o partido governista são comuns. Um mau resultado para Trump pode enfraquecer seu governo e reenergizar os democratas para as eleições presidenciais de 2028.

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