Brasil e outros cinco países, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai, divulgaram um comunicado conjunto neste domingo (4) condenando o ataque militar contra a Venezuela, orquestrado pelos Estados Unidos. A nota expressa grande preocupação com as ações militares conduzidas pelo presidente norte-americano Donald Trump, classificando-as como um precedente “extremamente perigoso” para a paz e a segurança regional.

No comunicado, os governos dos seis países ressaltam a gravidade dos eventos ocorridos na Venezuela e reafirmam seu compromisso com os princípios estabelecidos na Carta das Nações Unidas, documento que simboliza os ideais de paz da humanidade.

“Expressamos nossa profunda preocupação e repúdio às ações militares realizadas unilateralmente em território venezuelano, que contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça de força, e o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas.”

A avaliação dos signatários é que tais ações colocam em risco a população civil e desrespeitam a autodeterminação dos povos. Os países enfatizam que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, através do diálogo, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano, sem qualquer interferência externa.

“A situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, através do diálogo, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano em todas as suas expressões, sem interferência externa e em conformidade com o direito internacional”, afirmam no documento.

O texto reforça que apenas um processo político inclusivo, liderado pelos próprios venezuelanos, pode levar a uma solução democrática e sustentável, que respeite a dignidade humana. A declaração reafirma a América Latina e o Caribe como uma zona de paz, baseada no respeito mútuo, na solução pacífica de controvérsias e na não intervenção.

“Reafirmamos que somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática e sustentável que respeite a dignidade humana”, completou o comunicado.

Os países signatários fazem um apelo à unidade regional, capaz de transcender diferenças políticas diante de qualquer ameaça à estabilidade regional. Além disso, solicitam a intervenção do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e de outros mecanismos multilaterais para auxiliar na redução das tensões e na preservação da paz na região.

“Manifestamos nossa preocupação a qualquer tentativa de controle governamental, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, que seja incompatível com o direito internacional e que ameace a estabilidade política, econômica e social da região”, concluiu o documento.

Contexto do Ataque

No sábado (3), o cenário na Venezuela foi marcado por diversas explosões em bairros da capital, Caracas. No contexto deste ataque militar, que segundo o comunicado foi orquestrado pelos Estados Unidos, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, teriam sido capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.

Esta ação representa um novo capítulo nas intervenções diretas dos Estados Unidos na América Latina. A última vez que os EUA invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando o então presidente Manuel Noriega foi sequestrado sob acusações de narcotráfico.

De forma similar ao caso Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano conhecido como “De Los Soles”, alegação que carece de provas concretas e é questionada por especialistas em tráfico internacional de drogas.

É importante notar que o governo de Donald Trump havia oferecido uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. Críticos apontam que essa ação pode ser uma manobra geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos EUA, como China e Rússia, além de buscar maior controle sobre o petróleo do país, que detém as maiores reservas comprovadas do mundo.

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