feriados 2024: comércio do rio pode perder r$ 2 bilhões com paralisações

Feriados 2024: Comércio do Rio pode perder R$ 2 bilhões com paralisações

Feriados em excesso representam um desafio para o comércio fluminense

O calendário de 2024 traz um número expressivo de feriados para o estado do Rio de Janeiro, totalizando 26 datas municipais, entre aniversários de cidades e eventos regionais, somados aos feriados nacionais e estaduais. Essa quantidade de dias de paralisação pode gerar uma perda de faturamento superior a R$ 2 bilhões para o comércio varejista fluminense, segundo levantamento do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio).

O faturamento mensal médio do comércio no estado é de R$ 1,4 bilhão, sendo que a cidade do Rio de Janeiro responde por cerca de R$ 700 milhões desse total. A concentração de feriados, especialmente quando caem em dias úteis e geram os chamados “enforcamentos”, leva muitas empresas a interromperem suas atividades. Essa interrupção diminui significativamente a circulação de pessoas nas ruas, impactando diretamente o comércio, principalmente o de rua.

Impacto nos “enforcamentos” e domingos

Datas comemorativas importantes que coincidem com dias de semana podem se estender devido aos “enforcamentos”, dias que ligam um feriado ao fim de semana. Essa prática, embora comum, representa um ponto sensível para o varejo, pois resulta em menos dias de funcionamento e, consequentemente, menor movimento nas lojas. Além disso, os 52 domingos do ano, dias em que grande parte do comércio não opera, também contribuem para a redução do faturamento total.

O presidente do SindilojasRio, Aldo Gonçalves, destaca que, embora os feriados sejam importantes para a sociedade, o excesso é preocupante. Ele ressalta que “os acordos coletivos, que permitem a abertura nos feriados e domingos, e o comércio eletrônico, as perdas de faturamento poderiam ser ainda maiores”. A capacidade de manter as lojas abertas nesses dias e a força das vendas online têm sido fundamentais para mitigar os prejuízos.

Pequenos lojistas são os mais afetados

Gonçalves explica que “o excesso de feriados acaba por prejudicar a atividade do comércio, freando a circulação de mercadorias e o giro do dinheiro e dos negócios”. Ele enfatiza que, em algumas localidades, o impacto é notadamente maior nos lojistas de rua, especialmente os de menor porte. Esses estabelecimentos são mais sensíveis aos efeitos de finais de semana e feriados, pois, em geral, já não abrem nesses dias.

A análise da lucratividade, que considera o custo de abertura do estabelecimento versus a receita gerada, é um fator crucial. Essa avaliação é especialmente relevante para shoppings e o comércio de rua que optam por abrir em feriados, muitas vezes focando em produtos essenciais. No entanto, a tendência é que os gastos das famílias em feriados se misturem com despesas de lazer, favorecendo atividades como turismo, bares e restaurantes em detrimento do comércio varejista.

Perspectivas futuras e o e-commerce

Olhando para o futuro, o cenário pode se tornar ainda mais complexo. O ano de 2026, por exemplo, será marcado pela Copa do Mundo e por eleições, eventos que também podem afetar negativamente o comércio, alterando padrões de consumo e prioridades de gastos. Nesse contexto, o comércio eletrônico se consolida como um aliado importante, oferecendo alternativas para manter as vendas ativas mesmo durante os dias de paralisação.

A capacidade de adaptação e a busca por estratégias que permitam o funcionamento em datas tradicionalmente de folga são essenciais para o setor. O debate sobre o equilíbrio entre o direito ao descanso e a necessidade de manter a atividade econômica aquecida continua sendo um ponto central para os representantes do comércio no Rio de Janeiro.

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